08 de julho de 2026
Geral

A cura pelas palavras

Clarissa Monteagudo
| Tempo de leitura: 2 min

"Ansiosos do mundo: uni-vos!", proclama a atriz e escritora Joana Ribeiro, 24 anos, em seu perfil no Facebook. Não demora para amigos aparecerem: "ansioso pelo encontro", "mal posso esperar". A autora não perde a piada: "Quando será? Pra eu começar a passar mal desde já". Joana faz parte de uma geração que não quer mais esconder o sofrimento causado por problemas emocionais.

"Muita gente acaba me pedindo ajuda porque escrevo sobre minhas crises de ansiedade. As patologias emocionais carregam muito peso. É preciso desconstruir os tabus."

Para os especialistas, falar com leveza sobre os efeitos da ansiedade gera identificação e ajuda outras pessoas. A psiquiatra Mônica Cereser ressalta a importância de respeitar o relato e o sofrimento do outro.

"Cada ser humano tem uma história, um temperamento e uma forma de viver e sentir. E também suas limitações. Não existe uma maneira única de pensar. O que existe é o seu ponto de vista. Porque pelo ponto de vista dele também tem razão."

Para ela, amadurecer em uma atitude assertiva diante das circunstâncias da vida ajuda a lidar com a ansiedade diante dos desafios. "Tem uma fórmula que eu brinco: a realidade é igual aos fatos multiplicados pela interpretação que eu faço. Uma paciente disse que o marido tinha sido demitido. Tinha filhos pequenos. Estava desesperada. Fomos à realidade: "Está passando fome?", "Qual sua reserva?". Em vez de pensar que é uma azarada, é preciso resolver a vida: "Vou vender cosméticos?", "Buscar trabalho temporário?". Temos que nos mexer. Nossa criança eterna quer que alguém resolva, mas não tem ninguém que vá resolver o script da sua vida. É com você", finaliza.

Forte apelo emocional

Mês de forte apelo emocional, por causa do Natal e de pressão pelos compromissos de fim de ano, dezembro é considerado pelos especialistas um desafio para ansiosos.

"Cerca de 83% de 726 pessoas entrevistadas em nossa pesquisa relatam estar mais estressadas nessa época. As pessoas também tendem a comparar o Natal com épocas passadas e ficar insatisfeitas com o presente. É preciso se planejar e buscar companhia, passear. E ter flexibilidade. Ficar sozinho aumenta a depressão", explica a presidente da International Stress Management Association do Brasil, Ana Maria Rossi.

Para ela, outro erro comum, especialmente em pessoas de baixa autoestima, é se arrepender por não ter cumprido as metas do ano. "Não se deve avaliar 12 meses pelos últimos dias. E se há preocupação com a crise faça um planejamento e gaste dentro do orçamento. Não adianta dar presente e depois se atolar em dívidas."