08 de julho de 2026
Geral

Ondas gravitacionais são a descoberta do ano


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São Paulo - As ondas gravitacionais chocaram o mundo científico em 2016, segundo a revista científica "Science". Essa, segundo a publicação, foi a descoberta do ano.

O achado finalmente cumpre as previsões feitas cerca de cem anos atrás pelo físico Albert Einstein.

"Ao invés de este ser o fim da história, os pesquisadores enxergam na descoberta o nascimento de um novo campo de estudo: a astronomia das ondas gravitacionais", afirma Adrian Cho, da Science.

O fenômeno foi comprovado pelo grupo de pesquisadores do Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (Ligo).

"Foi uma eleição bem fácil. Houve muitos avanços importantes neste ano, mas a observação das ondas gravitacionais confirma uma teoria centenária do próprio Albert Einstein", afirmou Cho.

As ondas gravitacionais são pequenas ondulações provocadas no tecido do espaço-tempo quando um corpo com massa é acelerado. Elas podem ser comparadas às ondas que se formam na água após o arremesso de uma pedra.

Como parte da famosa Teoria da Relatividade de Einstein, elas eram a última grande previsão que ainda não havia sido comprovada.

O próprio Albert Einstein, por décadas, vacilou quanto à existência ou não das ondas gravitacionais.

A revista científica destaca que a descoberta foi uma "saga científica incrível", pois levou mais de 40 anos para que os cientistas que trabalharam no projeto conseguissem comprová-la. A demora se deve à necessidade de tecnologias muito avançadas.

A equipe de astrofísicos do Ligo usou dois novos e potentes detectores de 1,1 bilhão de dólares para medir uma onda gravitacional formada pela fusão de dois buracos negros numa galáxia distante 1,3 bilhão de anos-luz da Terra. Um dos detectores está localizado em Livingston, no estado da Luisiana, e o outro em Hanford, Washington.

A revista afirma que, nesse momento, "os físicos estão ansiosamente antecipando o que está por vir", devido ao potencial que as ondas gravitacionais possuem de mudar o modo como o Cosmo é estudado.

"A descoberta das ondas gravitacionais mudou o horizonte científico. Inicia-se uma nova ciência", conclui a revista.

Além das ondas gravitacionais, algumas outras descobertas foram finalistas na seleção realizada pela "Science".

Entre elas estavam: proteínas inexistentes na natureza que foram criadas em laboratório; a descoberta de um planeta parecido com a Terra, Proxima b; a transformação de células-tronco de camundongos em óvulos férteis; o software que tenta simular a inteligência humana -AlphaGo; um estudo genético que determinou que uma onda migratória da África povoou todo o mundo; e a criação de metalentes, que tem a possibilidade de revolucionar o campo da fotografia.