09 de julho de 2026
Geral

Ladrões são 'obstáculos' a ciclistas

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

O lazer e bem-estar deram lugar ao medo nas tradicionais trilhas de ciclistas espalhadas por Bauru, locais que ganham maior movimento no final do ano por conta do período de férias. Pedalar por estes trechos, geralmente afastados de ruas e avenidas, a cada dia torna-se mais perigoso. Vítimas têm sido presas fáceis de ladrões.

Atleta assíduo, o empresário Fábio da Silva Gravata, 36 anos, conta que ao menos seis ciclistas foram assaltados nos últimos dois meses durante a prática esportiva. Ele, inclusive, escapou por pouco de também ter sua bicicleta levada por dupla armada de facão, quando percorria trajeto beirando a avenida Inácio Conceição Vieira, na Vila Aviação.

"Eu andava com um colega e, de repente, fomos surpreendidos. Eles foram agressivos e disseram: 'Desce, desce, perderam a bike'. Sei que é arriscado, mas nós conseguimos despistá-los. Outros amigos do grupo já relataram situação semelhante ou, infelizmente, tiveram a bicicleta levada. Os assaltantes já estão manjando os lugares que a gente anda", acredita.

A Polícia Civil disse ter conhecimento dos casos, porém, não apresentou estatística sobre o número de roubos e furtos de bicicletas registrados nos últimos meses em Bauru. Entretanto, garante que as investigações seguem com o objetivo de chegar aos autores e que conta com parceria da Polícia Militar nas ações (leia mais abaixo).

TRAJETO

Além da trilha na Vila Aviação, Fábio discrimina outras três de grande procura dos ciclistas na cidade: na Estrada Municipal José Sandrin, Chácara Bauruense (próxima ao IPMet da Unesp); às margens da rodovia Bauru-Jaú, na altura do Instituto Lauro de Souza Lima; e nas imediações da rua Luiz Bleriot, proximidades do Walmart e Aeroclube.

Este último trecho, inclusive, foi alvo de matéria veiculada pelo JC há um mês, sobre os desafios enfrentados por ciclistas e pedestres para a prática esportiva. Foi por lá, também, que o aposentado Uriel de Almeida, 63 anos, e um amigo tiveram as bikes roubadas por dupla armada de revólver, enquanto pedalavam no feriado do dia 15 de novembro.

ABANDONO

Ele, que costumava percorrer as trilhas tradicionais de Bauru citadas pelo empresário Fábio, agora sente medo. "Depois do assalto, parei de pedalar em trilhas. A incidência desse tipo de crime tem sido grande, ultimamente. O governo incentiva a prática, mas não oferece segurança", critica Uriel.

Por isso, para fugir de roubos, uma das dicas destacadas pelos próprios ciclistas (veja mais dicas no quadro acima) é pedalar em grupo. "Principalmente, se for entre o final da tarde e começo da noite", frisa Fábio.

PM reconhece dificuldade de patrulhamento em trilhas 

Comandante da Polícia Militar em Bauru, o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume reconhece o problema, mas ressalta dificuldade em realizar patrulhamento em "áreas que somente é possível percorrer a pé ou de bicicleta".

"Nós estamos sabendo dos casos, embora muitas vítimas ainda deixem de registrar a ocorrência. Por outro lado, é complicado percorrer esses lugares por serem distantes e com muito mato. Não deixamos, contudo, de patrulhar, mas nossa ação acaba sendo a de tentar identificar os autores".

Para tanto, reforça Kitazume, é essencial que a vítima coopere na descrição dos suspeitos e também ao relatar o modo como eles agem na hora de praticar o assalto. "A orientação é sempre andar em grupo e acionar a PM assim que perceber algo suspeito", finaliza.

Titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Eduardo Herrera ressalta que a Polícia Civil trabalha para tentar identificar se existe um objetivo específico ao roubar as bikes, além do valor patrimonial.

"Em caso de roubo ou furto, deve-se, também, registrar o número de série da bicicleta para inibir as ações criminosas. Isso facilita na identificação da vítima e, consequentemente, na resolução do crime", observa Herrera.

Registro

Desde setembro deste ano, a Polícia Civil passou a registrar o número de série de bicicletas nos boletins de ocorrência de roubo ou furto. O "chassi" fica gravado no quadro das bikes e também deve constar na nota fiscal. Além de inibir esse tipo de crime, a iniciativa ajuda na identificação do proprietário quando o produto for recuperado.

A partir da resolução criada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), todas as ocorrências, incluindo as apreensões, deverão conter, obrigatoriamente, a marca, a cor e o tamanho (aro) da bicicleta. Quando informado, o número de série deve ser registrado, como já é feito no caso de veículos: carros e motos.

Conforme o Jornal da Cidade veiculou na ocasião, a proposta é que os policiais militares em patrulha também tenham acesso ao cadastro através do Registro Digital de Ocorrência (RDO), quando houver abordagem suspeita.

As bikes que tiverem com a numeração raspada poderão ser apreendidas para averiguação, pois tal indício leva a crer que se trata de produto ilícito. Ainda assim, a inclusão do número não é obrigatória para o registro da ocorrência, porém, é aconselhável que as pessoas o guardem em casa para facilitar a identificação em casos de furtos e roubos.

Adeptos da modalidade estimam que Bauru e região contem com aproximadamente três mil ciclistas.