10 de julho de 2026
Política

Do início ao fim: cinco começam e terminam governo com Rodrigo

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 6 min

Alex Mita
Fernando Monti: um "sobrevivente", de acordo com o próprio prefeito

Oito anos depois de tomar posse como prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB) chega ao fim do seu segundo mandato ao lado de cinco dos 18 integrantes do primeiro escalão que estiveram ao seu lado desde o início da primeira gestão, em janeiro de 2009. Restaram de seu time original os secretários de Saúde, Fernando Monti, de Finanças, Marcos Garcia, do Bem-Estar Social, Darlene Tendolo, além do presidente da Cohab, Gasparini Júnior, e do presidente da Emdurb, Nico Mondelli, que, nos primeiros 12 meses da administração, comandou a secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Em uma gestão marcada pela rotatividade em alguns setores - com destaques para o DAE e o Planejamento -, a resistência do quinteto chama a atenção. O chefe do Executivo não acredita em uma "receita mágica" seguida pelos remanescentes. "Cada um tem suas características e habilidades que justificam a permanência nos cargos por tanto tempo. Nos casos do Fernando e do Nico, eu diria até que são sobreviventes", alega Rodrigo.

A definição faz sentido. O prefeito justifica que, durante todo o governo e, especialmente, na última campanha eleitoral, da qual Clodoaldo Gazzetta (PSD) saiu vencedor, a Saúde e a Emdurb foram as áreas que mais "tomaram porrada".

"Especialmente, na última disputa, o debate sobre a Saúde pesou muito. É claro que temos um problema crônico de subfinanciamento e uma crise pesadíssima hospitalar, que contaminou a discussão local. Houve uma ignorância da parte dos candidatos em trazer problemas do governo do Estado para dentro da Prefeitura, dizendo que abririam leitos e contratariam médicos especialistas. Isso atingiu muito tudo o que foi feito", reclama Rodrigo.

BALANÇO

Ele elenca uma série de avanços na rede e garante que o serviço prestado é de qualidade, reconhecendo deficiências que chama de pontuais, como a falta de pediatras na rede de urgência e emergência.

"Foram 15 unidades inauguradas, mais quatro UPAs e o aumento no número de médicos. Falando pessoalmente do Fernando, é um cara que tem todos os números e indicadores da Saúde na cabeça. Talvez tenha sido um secretário distante da base, mas nem por isso deixou de saber de tudo o que se passava", pontua.

Agostinho destaca ainda em Monti a capacidade de articulação junto às outras instâncias de governo. "Tem muito acesso. Sempre que foi necessário, discutiu diretamente com os ministros e os secretários estaduais de Saúde".

JOGO POLÍTICO

Mesmo com tantas crises enfrentadas pela Emdurb - desde o superfaturamento na contratação de serviços, como a destinação do chorume do aterro sanitário, até o colapso na coleta de lixo -, Rodrigo firma que Nico soube trabalhar com o orçamento reservado pela Prefeitura à empresa pública que presidiu por sete anos.

"Apesar de vir da iniciativa privada, aprendeu o jogo político e conseguiu sobreviver a muita porrada. Além disso, o orçamento da Emdurb cresceu muito. Ela assumiu novos serviços e profissionalizou-se no controle do que é executado. Hoje, tudo é pago por medição. Antes, a prefeitura apenas repassava recursos. O desafio, agora, é buscar metas superavitárias para que a empresa possa reinvestir, comprar caminhões", acredita.

Nico acumula ainda o trunfo de ter sido o único "sobrevivente" do grupo da "cota pessoal" de Rodrigo Agostinho no governo, que fora composto também por Rubito Ribeiro, Paulo Ferrari, Richard Vendramini, Rodrigo Said, Renato Gragnani, Marcelo Araújo e Valcirlei Silva.

'Dono do caixa'

Apesar de todo aperto financeiro nos últimos três anos, quando secou a torneira do caixa da Prefeitura de Bauru, Rodrigo Agostinho enaltece a conquista de encerrar o mandato com todos os compromissos financeiros honrados, cenário diverso de grande número de municípios e estados brasileiros. Boa parte do mérito ele atribuiu a Marcos Garcia, secretário de Finanças, que já ocupava o cargo no governo Tuga Angerami.

"Houve um planejamento muito rigoroso ao longo dos últimos anos, comigo cobrando a execução das políticas públicas e o Marcos controlando a parte financeira. Ele é muito criterioso e ainda vai conseguir deixar um dinheirinho na conta".

Em inúmeras reportagens do JC, antes da deflagração da crise econômica, Garcia já alertava sobre a necessidade de colocar freio nos gastos da administração municipal. "Muitas vezes, ele me disse não e eu acatei. Essa é uma característica importante para os governantes: saber ouvir". Marcos chegou a ser convidado para continuar à frente das finanças no governo Gazzetta, mas recusou o convite. O posto será ocupado por Everson Demarchi, que hoje responde pela Administração, mas, por muitos anos, ele atuou como braço direito de Marcos Garcia na pasta.

A escolhida

Secretária do Bem-Estar Social desde janeiro de 2009, Darlene Tendolo conquistou a confiança do prefeito Rodrigo Agostinho de tal forma que, no período pré-eleitoral, chegou a ser escolhida por ele como sua potencial sucessora à frente do Palácio das Cerejeiras. Sua candidatura, contudo, não se viabilizou e ela concorreu nas últimas eleições na condição de vice. "A Darlene deu cara para a Sebes. Nós ampliamos absurdamente o volume de serviços prestados, impulsionados até mesmo pelo boom das políticas sociais do governo Lula. Mesmo sendo linha dura e tendo seus desafetos, conquistou as pessoas de maneira geral e desempenhou seu trabalho de forma muito eficiente. Assim como o Marcos [Garcia], conquistou o respeito e admiração até dos nossos opositores políticos", elogia o chefe do Executivo cessante.

O articulador

Gasparini Júnior é presidente da Cohab desde o governo Tuga Angerami e, após permanecer no cargo durante toda a gestão Rodrigo Agostinho, é cotado para ficar à frente do órgão com Clodoaldo Gazzetta. "É claro que as dívidas da companhia são um problema complexo. Mas o Júnior se esforçou muito para manter tudo em dia e, até hoje, o caixa municipal não precisou colocar um centavo lá dentro. Além disso, desempenhou um papel muito importante para reverter a cultura da inadimplência de mutuários". O prefeito admite, porém, que a capacidade de articulação política [especialmente para apagar incêndios] é o principal trunfo de Gaspirini. "Ele usou esses dotes tanto com o Tuga quanto no meu governo, talvez até por já ter sido vereador. É também muito querido e respeitado".

Prefeito destaca Vera e Sidnei

Rodrigo Agostinho não hesita em elencar outros secretários que, em sua avaliação, se destacaram durante seu governo, mesmo não tendo ocupado os cargos ao longo dos oito últimos anos.

O primeiro nome lembrado pelo prefeito é o de Vera Casério, da Educação, área menos apontada por opositores, inclusive, durante a corrida eleitoral.

"Sem dúvida, é uma das melhores secretárias. Além da competência enorme, ela conhece a rede inteira, todas as diretoras e tem a capacidade de identificar os problemas pessoais dos colegas. A Vera discute a Pedagogia com P maiúsculo. A gente fez uma loucura juntos, inaugurando mais de 50 escolas, ampliando absurdamente a oferta de ensino infantil em período integral e tudo com qualidade".

O prefeito também elogia Sidnei Rodrigues, da Secretaria de Obras, que também chegou a conduzir a Secretaria de Administrações Regionais (Sear).

"Fez um trabalho excepcional, mesmo não tendo a formação de engenheiro ou arquiteto que muitos esperam. A gente brinca também que ele, frequentemente, comete 'sincericídio' por jogar todos os problemas às claras com a imprensa. Só que eu acredito que ele foi o secretário que mais incorporou uma característica minha, que é de tratar as coisas com muita transparência e tranquilidade", avalia Agostinho.