Certas sensações têm o poder de evocar experiências vividas muito agradáveis. Às vezes é uma frase musical ouvida aqui ou ali, um aroma passageiro, um sabor típico uma paisagem; o pensamento voa. O córrego de águas rasas e cristalinas cortando a gleba de terra (conhecida como "pastinho dos Brosco") na Borebi antiga, a certa altura desenhava um alargamento - formando um remanso onde nós, então meninos do povoado, diariamente brincávamos.
Acompanhando o curso do córrego, não muito adiante havia uma grande mó no Moinho de Fubá Patrinhani, onde a água passava chorando... Defronte ao pátio ferroviário, na fábrica "Américo Larine," as cadeiras eram trabalhadas, artesanalmente, nas suas formas estruturais de madeira, com utilização de palhas de taboa - nativa dos banhados existentes às margens da via-férrea.
Quando o trem atingia o aterro do pântano, podia-se ver a tradicional partida do bando de maritacas que se mudava para o morro existente do outro lado da várzea. As vacas mugindo longe dos bezerros, o leite quentinho bebido de manhã, as pipocas e os ioiôs nas barraquinhas de "bambu e lonas" das quermesses e, sobretudo, os harmoniosos presépios natalinos: são sutilezas da infância que trazem um gostinho de saudade.
Como diria o poeta: "esta saudade quente, esta saudade boa que a mente sente"... E nós acrescentaríamos: esta saudade como se minh'alma fosse um belo jardim florido de amor - perfeito; suave melodia da emoção mais pura: que fica dos acordes de harmoniosos sonhos.
Se não é lágrima no peito, não é alegria; não é desilusão nem é felicidade. É uma saudade de algo invisível - que oprime o coração - mas que nos foge à mente; esta saudade enigma vive em toda a gente.