“Minha filha está dormindo na tia porque não consegue mais ficar em casa, qualquer barulho ela acorda assustada, perguntando se é a policia.” A afirmação foi feita nessa sexta-feira (30) ao JC pela professora de 26 anos, que gravou o vídeo em que um PM ameaçava seu marido de morte em Bauru.
Ela, que terá a identidade preservada, procurou a reportagem para dar sua versão sobre o caso publicado na edição de ontem do JC.
Esposa do vigilante de 28 anos, ela gravou um vídeo em que o sargento Edjalma Andrade aparece proferindo ameaças contra o seu marido, por volta das 14h30 da última terça-feira (27), dentro da residência do casal.
O boletim de ocorrência sobre abuso de autoridade foi registrado na noite do mesmo dia e segue sob investigação da Polícia Civil. A PM também abriu procedimento de investigações interna sobre a ação do policial.
LIXO?
Conforme o JC publicou na edição dessa sexta-feira (30), a discussão teria começado na madrugada da última segunda-feira (26), quando o casal, morador do Jardim Terra Branca, teria deixado um carrinho de supermercado em um terreno vizinho, em frente à casa do policial.
Em sua versão, o sargento Andrade disse ao JC que foi até o local e repreendeu o casal por ter jogado lixo no terreno. Na ocasião, ele também alegou ter sido ameaçado pelo vigilante.
O PM, então, na companhia de outros dois policiais, foi à casa da família na tarde de terça-feira à procura de uma suposta arma do vigilante.
“Meu marido é vigilante, mas sequer tem arma em casa. Não houve ameaça nenhuma contra o policial”, rebate a mulher. A professora também nega que a entrada tenha sido franqueada para a PM e afirma que, tanto ela quanto o marido, foram agredidos dentro da própria casa.
“Ele empurrou meu marido no portão, entrou, fechou a porta e começou a discutir. Quando ele viu que eu estava filmando, apertou meu braço para que eu soltasse o celular. Meu marido entrou na frente e foi estapeado”, afirma a mulher. “Mandou até minha filha de cinco anos calar a boca”, acrescenta a professora.
190
Ela diz que chegou a ligar para o 190 e que uma viatura foi ao local 20 minutos após a saída do sargento. “Antes disso, ele tirou um saquinho preto do bolso e ameaçou forjar droga em casa, se eu não desligasse o telefone”, relata a mulher.
Ao JC, o sargento rejeitou veemente todas as acusações do casal e afirmou que a mulher estava alterada e ficava falando que iria tirar dele na Justiça.
A professora, por sua vez, nega. “Só hoje (nessa sexta-30) é que fomos acionar um advogado. Estamos com medo, traumatizados. Só quero a tranquilidade de volta, minha filha vai precisar de tratamento psicológico”, finaliza.