O ano de 2016 sacramentou nosso primeiro impeachment de um governante nacional (já que Collor renunciou às vésperas de seu advento) e isso seria suficiente para marcar historicamente a política do país. Seria, mas o fato é que nesses quase 2 anos de Operação Lava-Jato (a maior operação federal anticorrupção já montada) está sendo desmantelada a grande indústria de corrupção, verbas, mesadas, pensões, ou qualquer outro termo que se traduza em rombo aos cofres públicos e afronta à sociedade.
O governo sucessório escalou o que tem de “melhor” no mercado para o redesenho econômico, nomes como Henrique Meirelles para a Fazenda e Ilan Goldfajn para o Banco Central trouxeram grande expectativa ao mercado e à sociedade. O fato é que nenhuma mágica ocorrerá sem que lentamente toda a máquina funcione em conjunto, a estrutura começa com corte de gastos, elevação nas arrecadações de impostos, tributos, quebra de isenções, sem contar no imenso jogo de interesses da bancada oposta em atrapalhar o desenvolvimento.
Passaram-se aproximadamente 5 meses do governo pós-impeachment e obviamente não se vê as melhorias prometidas para o mandato, até porque a nova economia ainda está “verde”. Tudo isso somado à intensidade das delações premiadas dos envolvidos como Cunha, Cabral e Odebrecht que citaram os nomes daqueles que eram tidos como os sucessores (Temer, Aécio, Serra), chegamos à conclusão de que tudo poderá ser em vão.
Será em vão a luta pelos direitos civis, a luta contra a corrupção, a busca de ver alguém que nos represente e comande economicamente nosso país, porque quando temos dois lados sabemos diferenciá-los, quando temos culpados e inocentes sabemos como julgá-los, mas quando “todos são culpados” é o mesmo que dizer “todos são inocentes”, e vencerá quem tiver a maior articulação entre as massas votantes. Seguindo este raciocínio: quem tem a maior articulação “já vista na história deste país” entre o eleitorado?
Por fim, sob o ponto de vista econômico, a expectativa é de elevação no desemprego, podendo chegar a 13% devido ao baixo crescimento do PIB e ao risco do investimento em uma economia fraca como a nossa. Esperança existe, começa com a previsão de 4,9% na inflação para 2017, baixo considerando os 7% vividos no ano de 2016. O próximo passo é aguardar pela redução dos juros (Selic), que poderá cair de 13,75% (atual) para 10% até o fim do próximo período, o que proporcionaria incentivos a buscar o investimento no setor produtivo. Esta é a linha do otimismo econômico, se todas as ações ocorrerem no mesmo tempo, gradativamente voltaremos às oportunidades, ao consumo, ao crescimento e ao orgulho que tanto precisamos.
Os autores, Jorge Martins é economista, com MBA em Finanças e Controladoria. Carlos Sette é economista, professor universitário e diretor de empresa.