| Fotos: Malavolta Jr. |
| Atacante Alecsandro durante visita a Bauru na última semana |
| Alecsandro com seu pai, o ex-atacante Lela, acompanhando um dos treinos do Noroeste no estádio Alfredo de Castilho |
Após um ano de muitas dificuldades para todos, nada melhor do que começar 2017 com um campeão. O atacante bauruense Alecsandro Barbosa Felisbino encerrou 2016 como gostaria: com o título brasileiro, conquistado pelo Palmeiras após 22 anos de espera. Aos 35 anos de idade, o jogador foi artilheiro por onde passou. Foram diversos clubes no Brasil, onde conquistou vários campeonatos estaduais e duas Libertadores da América - uma com o Internacional, em 2010, e outra com o Atlético Mineiro, em 2013.
Alecsandro repetiu ainda o feito de seu pai, Reinaldo Felisbino, o Lela, que em 1985 ganhou o Brasileirão defendendo o Coritiba, e de seu irmão, Richarlyson, que foi campeão brasileiro com o São Paulo em três anos seguidos (2006/07/08), e atualmente defende o Goa FC, da Índia. Para 2017, “Alecgol”, como é chamado pelos torcedores, espera mais sucesso. O atacante renovou com o Palmeiras, e tentará, além do bicampeonato brasileiro, os títulos do Paulista e da Libertadores, entre outros. Ao todo, segundo suas próprias contas, foram mais de 300 gols como profissional. Só no ano passado, foram 14 gols com a camisa do Verdão.
O jogador esteve em Bauru na semana entre o Natal e o Ano Novo, visitando a família, e passou pelo estádio Alfredo de Castilho na última quinta-feira para acompanhar um treino do Esporte Clube Noroeste, quando conversou com o JC. Amigo do atual presidente noroestino Estevan Pegoraro, ele tem acompanhado o Alvirrubro e torce pelo acesso do clube bauruense na Série A3 do Paulista deste ano. Confira os principais trechos da entrevista:
JC - Você deve ter encerrado o ano como gostaria, ganhando o Brasileirão.
Alecsandro - A importância de estar em uma grande equipe, poder ser campeão. Meu pai e o Richarlyson já tinham ganhado o Brasileiro, era um título importante para mim, e graças a Deus deu certo. Comecei o ano bem, no meio tive alguns percalços, mas terminamos campeões no final.
JC - O Palmeiras teve muita regularidade no campeonato, isso certamente pesou no final, certo?
Alecsandro - Além do encaixe do time, o elenco era forte. Alguns jogadores já sabiam que, se saísse do time titular, a concorrência era grande. Então, todo mundo queria jogar, porque corria o risco de ficar de fora. Esse foi um ponto forte do Palmeiras.
JC - E agora virão novos desafios, como a Libertadores. Como encarar esse tipo de competição?
Alecsandro - Em 2016, jogamos a Libertadores. É uma competição diferenciada, que os jogadores tem que entrar entendendo bem como funciona. Uma coisa é a primeira fase, e outra bem diferente é a segunda fase. O nosso elenco agora está mais preparado, mais “cascudo”, a equipe se fortaleceu bastante. O Palmeiras é uma equipe que tem que brigar para chegar ao título, até por ser o atual campeão brasileiro e pelo elenco que tem.
JC - Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Alecsandro - Eu acho que tive vários momentos bons. Em todos os clubes que passei, entrei e saí pela porta da frente. Nunca fui mandando embora de nenhum clube e, em todos, fiz gols e fui campeão. Seria um pouco injusto falar de um único momento. No Cruzeiro e no Internacional, tive momentos bons; no Inter, fui campeão da Libertadores (2010) e artilheiro daquele ano; no Vasco, fui campeão e artilheiro da Copa do Brasil (2012); pelo Flamengo também ganhei o Carioca e fui artilheiro do time. Acho que é uma carreira vitoriosa pela trajetória e títulos, fico feliz em não poder destacar apenas um momento.
| Fotos: Reprodução/Internet |
| "Se um dia puder vir para ajudar o Noroeste, não simplesmente para encerrar a carreira, aí pode ser", diz Alecsandro |
JC - Boa parte da sua carreira você atuou em times do Brasil, mas teve duas passagens no Exterior, mais especificamente em Portugal e no Oriente Médio. Como foi atuar fora do País?
Alecsandro - Jogar um Liga dos Campeões, pelo Sporting de Portugal (2006-07), é um sonho de criança. Na verdade, um sonho de adulto, porque acho que todo jogador quer chegar a uma Liga dos Campeões. Tive a oportunidade de jogar no San Siro contra a Inter de Milão, na arena nova de Munique contra o Bayer, são coisas que te marcam muito. Foi uma passagem muito boa, fui campeão da Taça de Portugal e vice-campeão português. Era companheiro de ataque do Liedson e do Nani. Já no Oriente Médio (defendendo o Al-Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, em 2008), acredito que foi uma das únicas frustrações na minha carreira. Fui com três anos de contrato, e logo no primeiro ano, não consegui jogar, pois tive uma lesão séria no tendão de Aquiles. Ainda assim consegui jogar sete jogos e marcar cinco gols. Mas foi um momento de frustração. Depois, Deus me abençoou porque saí de lá e assinei com o Internacional, onde consegui ser campeão gaúcho e da Libertadores, e pude ser artilheiro do time.
JC - Falando em artilharia, seu pai Lela fez gols por onde passou. Algumas vezes você homenageava ele comemorando do mesmo jeito. Não dá para negar que o futebol está no “DNA” da família.
Alecsandro - Meu pai foi jogador, o Richarlyson também fez a carreira atuando em grandes clubes e Seleção Brasileira. Acho que eu puxei mais o meu pai, o Richarlyson já é um jogador mais defensivo. Eu já fico mais no ataque e dei uma lapidada, aprimorando as dicas que ele me deu, porque meu pai não fazia tantos gols (risos).
JC - Com o seu irmão, foi apenas uma temporada juntos, no Atlético Mineiro, em 2013. Como foi jogar ao lado dele?
Alecsandro - Ganhamos a Libertadores juntos no Atlético. Jogamos a final juntos, inclusive. Foi sensacional poder atuar ao lado do meu irmão. Foi o Richarlyson quem pediu minha contratação na época e deu certo, fui para lá. Na época, nem era minha prioridade, mas, quando recebi o convite e tive a oportunidade de estar no mesmo time que ele, pesou essa vontade minha e da família.
JC - Apesar de ter saído cedo de Bauru para jogar, você procura se manter próximo da cidade?
Alecsandro - Nasci aqui e minha família mora em Bauru. Então, procuro passar alguns dias do ano aqui, é uma cidade que acolhe bastante. E eu tenho o Noroeste como time do coração. Tendo, agora, um amigo de infância (Estevan Pegoraro) como presidente do clube, a gente torce mais ainda.
JC - É possível encerrar a carreira jogando no Noroeste, clube em que você chegou a passar pelas categorias de base (sub-11)?
Alecsandro - Quando a gente fala em encerrar a carreira, você espera o jogador em fim de carreira, que já não está correndo mais (risos). Eu sempre digo que não quero atrapalhar, quero ajudar. Se um dia puder vir para ajudar, não simplesmente para encerrar a carreira, aí pode ser.
JC - Para finalizar, como é o Alecsandro fora dos gramados, o que você gosta de fazer?
Alecsandro - Sou um cara sossegado, gosto de ir na praia, fazer meu churrasco, ficar com a família. Sou um cara família, companheiro, pai de dois filhos, com quem gosto de estar sempre.
Perfil
Alecsandro Barbosa Felisbino nasceu em Bauru, em 4 de fevereiro de 1981. Seus pais são Maria de Lourdes e o ex-jogador Reinaldo Felisbino, o Lela. Tem um irmão, o também jogador profissional Richarlyson. É casado com Vanessa e tem dois filhos, Yan (11 anos) e Nicolas (3 anos).
Seu gosto musical é eclético, com preferências para pagode, sertanejo e gospel. Os livros preferidos são os de autoajuda, e o time de coração é o Noroeste. Mantém dois canais de contato com os fãs: no Facebook, a página é a “Alecsandro Oficial”; e no Instagram é a “alecgol9”.