| Leonardo Yamaguti |
| Os bailarinos Ana Beatriz Ferreira, Ester Fernandes Cano, Julia Zanini e Luis Felipe Brito dançam na Emei Professor José Góri, no Parque Jaraguá, dentro do “Companhia Silidária” |
Depois de um ano brilhante, a Companhia Estável de Dança de Bauru, da Secretaria Municipal de Cultura, encerrou 2016 com uma iniciativa que merece aplausos.
O projeto Companhia Solidária levou parte do grupo no mês de dezembro para dançar em entidades de Bauru e região: Sapab (Associação de Apoio às Pessoas com Aids de Bauru), Casa da Criança, Paiva, Vila Vicentina, Hospital Estadual, Emei Prof. José Góri (Jaraguá), Lar dos Desamparados (Agudos) e Recanto (Piratininga).
“Além de formar bailarinos e artistas, temos a preocupação que nossos bailarinos conheçam a realidade social e sejam agentes para uma transformação e humanização de nossa sociedade”, destaca Sivaldo Camargo, professor e coordenador da Companhia.
“Fizemos as visitas e várias entidades e o hospital se interessaram em receber apresentações o ano todo”. Inesquecíveis também foram os espetáculos para públicos específicos, como no Dia Internacional da Mulher e na Semana da Consciência Negra, e em espaços inéditos, com destaque para o Santuário do Sagrado Coração de Jesus, dentro do projeto Cultura do Coração.
“A igreja estava lotada por pelo menos 600 pessoas e a maioria nunca tinha visto a Companhia. Faz parte do processo de democratização abranger públicos que não os acostumados a verem espetáculos de dança”.
AS NOVIDADES
Com cerca de 16 bailarinos, em cinco anos a Cia. Estável de Dança já possui 18 coreografias em seu repertório e deve ter novidades para 2017. Entre elas, a terceira etapa do projeto que une a dança a outras expressões artísticas.
Em 2016, o grupo participou das iniciativas “Acordes e Movimentos”, em apresentações junto com a Orquestra Sinfônica Municipal; e da mostra “Imagens e Movimentos”, com fotos, vídeos e dança. Neste ano, entra em cena o projeto “Palavras e Movimentos”, que irá associar a poesia à dança, com declamações no contexto das coreografias.
AOS ESTUDANTES
Outra meta da Companhia é implantar o projeto já pronto para apresentações nas escola. “É diferente de trazer a escola para o teatro, porque você vai trabalhar no ambiente da criança e do adolescente. Isso é forte, porque quando eles veem o bailarino ali, no lugar onde brincam e estudam, percebem que também podem dançar, deixa de ser algo tão distante”, justifica Sivaldo.
Ele explica que neste projeto, a Cia. Estável de Dança leva material um mês antes para que os professores trabalhem a temática do espetáculo em sala de aula. Depois, faz apresentações nos dois períodos de aula e à noite, para os pais e a comunidade.
“No dia seguinte, a intenção é o professor de dança dar uma oficina para os alunos enquanto os bailarinos observam os mais interessados para que a gente entre em contato informando sobre a abertura de vagas para a escola municipal de dança. Um número maior de crianças e adolescentes vai se interessar por balé. Esse é um grande mote para descentralizar a dança”, enfatiza.
Para saber mais entre em contato com o Centro Cultural: (14) 3235-1072 ou na avenida Nações Unidas, 8-9.
Descentralizado e democrático, sim
Sucesso de público em festivais de cinema e exposições, espetáculos de dança e teatro, o Sesc Bauru se destaca ainda mais nos shows, que só em 2016 reuniram mais de 64 mil pessoas.
As apresentações musicais às quartas-feiras e aos domingos ganharam mais alguns dias, ocasionalmente às sextas e aos sábados.
Os gêneros são os mais diversos: música instrumental, MPB, rock, forró, samba, pop... Com atrações de Bauru, região e até outros Estados, turnês de artistas consagrados e de novos talentos. Todo mundo é bem-vindo à sua sede, na Vila Cardia.
“Acreditamos que contribuímos para democratização e acesso à cultura com nossa proposta de programação diversificada de linguagens artísticas, além de esportivas e relacionadas à saúde com atividades essencialmente gratuitas ou valores acessíveis. Entendemos a cultura como possibilidade de mudança, de reflexão e de expressão”, diz Celina Tamashiro, gerente do Sesc Bauru.
Ainda sem confirmar quais são, ela garante que devem vir a Bauru grandes nomes da MPB em 2017. É aguardar e curtir.
SERVIÇO
Para acompanhar a programação acesse https://www.sescsp.org.br/bauru.
Desmistificando a literatura: ‘Ação é contínua’
Se em 2016 a Academia Bauruense de Letras comemorou a tão desejada sede própria, no espaço cultural do prédio da antiga Estação Ferroviária, agora é momento para mostrar que as portas estão abertas à população e intensificar o trabalho que leva acadêmicos às escolas de Bauru.
“É uma ação contínua e importante, pois não nos mantém fechados na academia nem em discussões estéreis. Temos que nos abrir e contribuir com a comunidade. Indo às escolas nós também desmitificamos a figura do escritor. Ele se humaniza e se materializa diante da criança ou adolescente, que percebe o escritor como uma pessoa comum, pai, avô, irmão, vizinho...”, comenta Rosa Leda Accorsi Gabrielli, presidente da Academia Bauruense de Letras.
Na sede, devem continuar os encontros e os cursos, como Oficina da Palavra, coordenada por Cecília de Lara, para pessoas que já escrevem e querem se aperfeiçoar, e uma nova edição da Oficina de contos com o professor Roberto Magalhães, sucesso de público, assim como a oficina de Literatura e música com Rafael Gallo.
LIVRO E PRÊMIO
| Aline Mendes |
| Rosa Leda Accorsi Gabrielli, da ABLetras, em recente entrevista |
A ABLetras, como também é chamada a Academia, há 10 anos publica uma antologia de seus membros nos anos pares e uma para interessados em geral nos anos ímpares. Ou seja, em 2017 é a vez da 5ª edição da Antologia Aberta.
“Qualquer pessoa que queira mostrar seu trabalho pode fazer parte. O estatuto está à disposição na Secretaria de Cultura. Os trabalhos devem ser entregues até março e o livro será lançado em julho, quando a Academia faz 24 anos. É bem democrático, pode ser conto, crônica ou poesia, mas o material é avaliado por uma comissão e a pessoa paga por página”, esclarece Rosa.
As metas para este ano incluem continuar apoiando e participando de eventos literários. “É necessário para crescermos juntos e sermos mais unidos. Existe espaço para todos os escritores, para todos que pensam a literatura. E Bauru vem fervendo em termos literários. Observamos em 2016 o lançamento de muitos livros e a revelação de novos talentos. Grupos ganharam força como o Sarau Versos no canto e o Expressão Poética”, analisa a presidente.
Há também um desejo para 2017. “Nosso sonho é que a nova administração pública nos dê apoio e abrace um projeto nosso que é de um prêmio literário, concurso aberto à população”.
SERVIÇO
Quem quiser saber mais pode entrar em contato pelo telefone (14) 9 8115-8110, procurar pela página da Academia Bauruense de Letras Facebook ou ir até a sede, aberta toda terça, das 8h30 às 12h.
Thiago Neves analisa o teatro: ‘Queremos mais atividades na periferia’
| Quioshi Goto/JC Imagem |
| O produtor Thiago Neves |
“Acredito que em 2016 demos passos importantes com eventos acontecendo em diversos pontos da cidade. Locais como a Casa de Cultura Celina Neves, o Espaço Cênico Atucaec de Teatro em Casa, o Espaço Protótipo, a Casa do Circo, entre tantos outros que atuam de forma independente, contribuem para a democratização e descentralização das atividades culturais.
Claro que espaços públicos como a Estação Ferroviária, as Bibliotecas Ramais, o CEU das Artes, o Museu Ferroviário, a Casa Ponce Paz e o Teatro Municipal também ajudam nesse processo. As parcerias entre grupos independentes e a Secretaria Municipal de Cultura, Secretaria de Estado da Cultura, Programas de incentivos fiscais e estímulo à Cultura permitem potencializar essas ações e a arte de forma geral.
A cultura é realizada de forma coletiva, por isso, parcerias são muito importantes para realizar grandes eventos como Mostra de Teatro Paulo Neves, Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Bauru (o Boneco Gira Boneco), o Festival de Artes Cênicas de Bauru (Face), Arte sem Barreiras, entre tantos outros. Eventos dessa natureza ajudam no processo da democratização e descentralização cultural e permitem levar atividades culturais gratuitas ou a preços acessíveis ao público.
Espero que em 2017 possamos levar mais atividades às periferias. Mas não só levar por levar, e sim preparar esse público e capacitar pessoas da comunidade para dar continuidade cultural, criando emanda de consumo e células culturais. Também a construção, ou melhor, reforma de sala ampla da Estação Ferroviária para que possamos ter novo espaço alternativo de caráter multiuso para a apresentação esporádica (e quem sabe até de temporadas em cartaz) de grupos locais. E que o novo secretário de Cultura traga novas ideias e tenha diálogo constante com a classe artística, como o Elson Reis já tinha”.
Thiago Neves é coordenador da Casa de Cultura Celina Neves, presidente do Conselho Municipal de Cultura, produtor cultural e vice-presidente da Associação de Teatro de Bauru (ATB).