08 de julho de 2026
Articulistas

'Malandra é a mente, malandramente'

Sinuhe Daniel Preto
| Tempo de leitura: 3 min

Os acordes de Ralinho e sua Raloz Jazz Bebop evadem-se do Sesc e ecoam pela Aureliano Cardia e toda região, o som é fino daqueles de amaciar até grosso! Nos arrebaldes ou arrabaldes, transeuntes, humanoides, fãs estacionam seus veículos e são interpelados pelos mais proliferados que mosquitos e pernilongos, os não tão raros nem tão caros guardadores de carros! O vocabulário desses sequestradores de moedas e vil metal de Temer é sensacional: um deles aborda-me e sentencia: “Ô, doutor, ajuda aí com dois reais, é pra dar uma fortalecida! “Outro cria um neologismo que mistura a norma culta e inculta, mas que a Língua não sepulta, ao contrário, aduba: “Pode curtir o show, é rock, né? Vai tranquilo, doutor, que eu estou de Zolho! “Veja que espetacular, ele enxertou “Zoio” e “Olho” e nasceu o rebento mais atento: “Zolho”. Demais!


No entanto, o que fazem esses andarilhos nos trilhos e trilhas dos veículos e seus condutores sem fios da meada ou da moeda, cobram, cobram o dinheiro do trabalhador para cuidarem de carros, sem autorização alguma, sem órgão público algum a fiscalizar, e os reféns temem dizer não a esses raptores da desigualdade, parece Halloween: “Doces ou travessuras?”. “Então, é: “A gente cuida ou Deus te acuda!”


No caixa, a moça do posto de gasolina, que agora limpa o motor, quer dizer que a outra sujava, que não é a moça de Wando, absorve minha nota de cinquenta Temers e como uma inimiga da “onça” começa a olhar a cédula contra a luz, passa uma caneta, olha, “zolha” de novo e, finalmente, devolve a este, agora já se achando um membro de uma facção criminosa, o troco. Dou-lhe o troco e olho nota por nota ao que ela retribui: “Você está desconfiando de mim?”. Agora, estou na rodovia, que está sob concessão, antes fosse finalidade ou condição, a estrada tem mais pedágios que bois que os via quando era criança. ao aproximar-me do “pede ágio” com meu “Sem Parar”, há fila do mesmo jeito de outrora, claro, há menos atendentes, será que em breve criarão o “Sem Parar Plus”?


No shopping, que cobra para estacionar, há menos vagas que vestibular de medicina, a senhora vai estacionar e o rapaz toma-lhe o lugar, sorri sarcasticamente e não é o “Meu Malvado Favorito”, é um sem educação, mesmo! Malandramente, vovó! Na fila do banco, você recebe uma senha, não, não encontrará Ali Babá, só os quarenta acionistas, você espera dízimas periódicas de minutos para saber o óbvio: cobraram-lhe taxas, mas oferecer-lhe-ão um crédito que cairá em descrédito ou débito ou óbito!


É chegado o verão, então, aumente-se o preço dos protetores solares, dos filtros solares, pois todo mundo quererá usar um protetor, mas se se pede sol, por que o protetor? Parece aquelas históricas balelas, estojo de pronto-socorros, vai levar multa, hein? Balela! Extintor de incêndio, em duas semanas, o dobro do preço, e... ? Balela, isto sim é golpe! Azulzinho, amarelinho, radares escondidos? Malandramente?


Finalmente, o “The End”: você vai ao cinema, há promoção, meia entrada, mas a pipoca, sim, a pipoca feita de milho, que você ajudou sua avó a debulhar, que você tirou aqueles cabelos indesejáveis e, com a idade, tão necessários, mas a pipoca é vendida como gasolina, no preço, entendeu, dizem que é combo, mas geralmente é um tombo, calma, ainda tem um refrigerante, de máquina, tem gás, gasoso, seu preço é líquido: lágrimas, os funcionários são múmias, não têm culpa, precisam do reles salário: sólido!


Ah, os filmes ficam pouco tempo, “Elis” nem uma semana, os da terra de Donald Trump parecem fundo mútuo, eternos! Todo fim de ano parece que vai mudar, mas a mente é demente, não se muda, integra-se, respeita-se, aproxima-se, o mundo não é dos espertos, quiçá, será dos expertos, existe a palavra, dos entendidos, aquele que entende o próximo, e não age malandramente ou como diria o MC que não é Donalds, “Nós se vê por aí, nós se vê por aí!”


O autor é professor, sabendo que ainda não é experto!