09 de julho de 2026
Política

Prefeito Clodoaldo Gazzetta quer prazo para tapar buracos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
Cratera na esquina da avenida Cruzeiro do Sul com a rua Piauí, na região do Higienópolis
Novo secretário de Obras, Olivatto reitera atenção à disponibilidade orçamentária
Ponderando o risco dae adversidades, Fabris busca tapar buracos do DAE em até 24h
Fantasma do final da década passada, enquanto a cidade passava por um período de recuperação político-administrativa, a buraqueira nas ruas voltou a assombrar Bauru nos últimos dois anos da gestão Rodrigo Agostinho, quando limitações orçamentárias restringiram ações de manutenção por parte da Prefeitura e do DAE. O governo recém-findado estimava a existência de 5 mil buracos em vias públicas. Agora, Clodoaldo Gazzetta (PSD) pretende estipular metas com prazo máximo para que o asfalto seja reposto onde é necessário.

 

Para isso, o prefeito encomendou ao presidente do DAE, Eric Fabris, e ao secretário de Obras, Ricardo Olivatto, um estudo para ser elaborado em curto prazo que aponte a demanda média de serviços e o tempo de resposta da administração para os chamados.

 

A partir do diagnóstico, a proposta de Gazzetta é definir um prazo máximo que seja factível, mas inferior ao praticado atualmente. 

 

Enquanto o projeto não avança, a equipe do novo governo tenta melhorar a integração dos setores da administração, com troca de fotos e relatos sobre buracos em um grupo de WhatsApp.

 

Olivatto fala em adotar metodologias de trabalho semelhantes às executadas na iniciativa privada, o que implica no respeito às limitações orçamentárias para a execução dos serviços.

 

O orçamento da prefeitura aprovado para 2017 não altera substancialmente os valores destinados ao tapa-buraco, que foram insuficientes ao longo do ano passado.

 

Nos últimos meses, a Secretaria de Obras dependeu de liberação de recursos extras, a “conta gotas”, para que os trabalhos não fossem interrompidos.

 

REORGANIZAÇÃO

 

A expectativa, porém, é de que, em 2017, a pasta não tenha que ceder massa asfáltica produzida em sua usina para que o DAE tape os buracos abertos para viabilizar reparos nas redes de água e esgoto.

 

“É como se a gente fosse a um restaurante e pagasse a conta da mesa do lado”, definiu o novo secretário de Obras. 

 

Durante os dois primeiros quadrimestres do ano passado, contudo, essa foi uma prática comum, segundo Sidnei Rodrigues, que respondia pela pasta até o dia 31 de dezembro.

 

O DAE passou a comprar o asfalto junto à iniciativa privada, ao menos de forma contínua e efetiva, nos últimos quatro meses do ano passado.

 

META PESSOAL

 

Gazzetta é mais cauteloso ao comentar a divisão das obrigações, mas a proposta defendida por Olivatto é endossada por Eric Fabris, presidente da autarquia.

 

“O DAE tem equipes de manutenção: são quatro por regional e quatro caminhões de reposição de asfalto. O DAE tem sua própria de licitação para aquisição de massa”, diz o presidente.

 

Ele conta que, há quatro meses, a autarquia enfrentava fila de 700 buracos abertos simultaneamente e levava, em média, uma semana para fechar cada um deles. Hoje, esse número é de 225.

 

“Nos últimos quatro meses, houve uma melhora. Conseguimos resolver em dois dias, mas o ritmo ainda não é bom. Quero trabalhar com o prazo de 24 horas. Sei que é possível porque já fiz isso [quando foi presidente do DAE na gestão Tidei de Lima]”.

 

Sem recape, problema aumenta

 

A última estimativa da Prefeitura de Bauru apontou que cerca de 6 mil quadras da cidade - quase um terço das 19 mil contabilizadas - precisam de recape em função do asfalto de mais de 20 anos.

Não há qualquer previsão de recursos direcionados para esse tipo de serviço no orçamento deste ano. A gestão anterior estimou que, para zerar o problema, seriam necessários R$ 150 milhões, valor superior ao custo da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), maior obra de saneamento em execução do estado de São Paulo.

Sem o recape e com o asfalto “vencido”, a tendência é de que as crateras surjam no asfalto cada vez com maior frequência. 

No meio do ano passado, a prefeitura admitiu que a quantidade de buracos nas vias públicas já se equiparava à observada nos períodos mais críticos do último governo Tuga Angerami.