08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Bauru submersa: até quando?

Rosa Maria Fernandes Scalvi
| Tempo de leitura: 2 min

Sou bauruense! Por isso, sinto-me abatida e revoltada cada vez que abro o jornal depois que uma chuva um pouco mais intensa cai sobre nossa cidade. Sinto-me grata por não ter ocorrido nada de mais grave com minha casa, meus familiares ou meus amigos nessas situações. Mas não posso dizer que sou feliz...


Vejo outros bauruenses, como eu, sofrendo inúmeras vezes em virtude de uma simples chuva. Não dá para ser feliz assim! Por que nossa cidade ainda não está preparada (nunca esteve!) para receber uma chuvarada? Não podemos controlar o quanto de água irá desabar, mas por que não podemos controlar os prováveis transtornos que isso possa causar?


Quando abrimos o jornal, só vemos desgraças causadas pela chuva que, na verdade, deveria trazer somente benefícios, sendo captada, sendo armazenada, e não simplesmente fazer os mesmos bauruenses sofrerem quando o período é de falta de chuvas. Sofrem porque chove, sofrem porque não chove! Quem entende? Onde estão as políticas públicas de nossa cidade? Como uma criança que ainda nem sequer havia nascido pode perder tudo por que choveu na véspera de seu Natal?

Após as desgraças, vem a solidariedade. Dezenas, centenas, talvez até milhares de bauruenses ajudando aqueles que perderam tudo. Porém, essa ajuda não é suficiente, pois dar aquilo que não nos serve mais para ajudar o outro não irá resolver o problema dele. Acredito que resolva mais o nosso problema, daqueles que não foram castigados pela falta de estrutura de sua cidade quando chove.


A chuva não é castigo! Castigo é a falta de vontade de nossos governantes! Com certeza todos sabemos algumas medidas para minimizar o prejuízo: escoamento adequado da água, vias públicas limpas, bueiros em número suficiente e sem obstruções; solo (calçamento) preparado para uma drenagem adequada da água; casas construídas com parâmetros de segurança indiscutíveis; e outros fatores simples que basta pensar um pouco para descobrirmos.


E nossa principal avenida? O que dizer dela? Quando recebemos alguém de outra cidade, outro estado, outro país, vindo morar em nossa cidade dizemos “a Avenida Nações Unidas é a principal via, nosso cartão postal! Mas... Fuja dela quando chove! E, nem precisa ser muita chuva...” que vergonha...


Caros governantes, talvez eu não tenha competência ou formação adequada para discutir tais assuntos, mas, assim como muitos outros bauruenses, tenho vontade de que nossa cidade pare de ficar submersa após uma chuva, uma chuvarada ou até mesmo uma chuvinha! Gostaria de poder ajudar, mesmo que fosse indo de casa em casa, em nome de nossa prefeitura, pedindo, orientando as pessoas não jogarem lixo nos bueiros, não construírem suas casas sem acompanhamento adequado.


Enfim, fazendo qualquer coisa para que essa situação não se repita. Mais uma vez afirmo, sou bauruense e vejo isso faz muito tempo, mais de 50 anos! Difícil ser uma bauruense feliz...