| Aceituno Jr. |
| O secretário José Eduardo Fogolin se reuniu com médicos de urgência na noite desta quarta-feira |
| Malavolta Jr./JC Imagens |
| Cenas como a de março de 2016, com pacientes nos corredores do PS Central, são comuns |
Impactante e polêmico, o projeto de demolição do Pronto-Socorro Central (PSC) para viabilizar a construção do Centro de Referência de Urgência, anunciado na posse do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), será rediscutido, em pelo menos quatro frentes, pelo novo governo, sob o comando do secretário José Eduardo Fogolin. Vão ser ouvidos gestores da Saúde, médicos, usuários do sistema e vereadores.
Na edição do último domingo (8), o Jornal da Cidade abriu o debate em torno da proposta, dando voz a experientes profissionais que atuam na rede de urgência e emergência e que, unanimemente, sugeriram a não derrubada do prédio.
Caso a ideia seja mantida pela administração, sugeriram ainda alternativas para que os primeiros socorros a pacientes cujas chances de vida dependam da agilidade no atendimento, como em casos de politrauma, sejam mantidos próximos ao Centro Cirúrgico do Hospital de Base. Uma delas foi a utilização do local que abriga hoje o Pronto Atendimento Infantil (PAI).
A proposta original de Gazzetta e Fogolin elenca a UPA Bela Vista como referência para essas situações. A distância de um ponto a outro é de quase 4 quilômetros. “Como o processo todo [até a licitação da obra] demora cerca de seis meses, já estava no nosso planejamento abrir as discussões. As colocações foram muito boas e em nada divergem do nosso pensamento, embora alguns apontamentos não tenham condições, inclusive estruturais, de acontecerem. A reportagem, aliás, atingiu seu principal objetivo, que foi de mobilizar a todos”, afirma o secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin.
MÉDICOS
O Pronto-Socorro constou na pauta da primeira reunião entre o novo gestor da pasta e os médicos da rede de urgência do município, que aconteceu na noite dessa quarta-feira (11).
Segundo Fogolin, todos esses profissionais foram convidados e a ideia é de que, dentre eles, seja formada uma comissão para discutir o projeto permanentemente.
Na segunda-feira, o secretário se reunirá com gestores do Departamento Regional de Saúde do Estado de São Paulo (DRS) e da Famesp, organização social que gerencia o Hospital de Base, principal retaguarda para casos de trauma em Bauru.
POLITICAMENTE
O secretário garante que os usuários do sistema também serão ouvidos sobre o projeto, por meio do Conselho Municipal de Saúde. Já a quarta frente de diálogo se dará junto à Câmara de Vereadores.
Como noticiou o JC, em reunião às vésperas da posse, Gazzetta reuniu os parlamentares eleitos para falar de sua proposta. Na ocasião, apresentou pela primeira vez a simbologia da marreta que pretende utilizar para marcar a demolição do Pronto-Socorro.
Adequações
A previsão de José Eduardo Fogolin era de que as adequações necessárias para viabilizar a construção fossem divididas em quatro etapas.
Na primeira, o atendimento pediátrico, atualmente centralizado no PAI, seja distribuído em duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs)
A transferência das consultas de adultos viria no segundo momento da execução. Já o terceiro abrangeria a migração da porta de urgência para o UPA Bela Vista, seguida, por fim, do deslocamento da enfermaria adulta para o mesmo local.
Projeto de R$ 12 milhões
A construção do novo Centro de Urgência, sucedendo a demolição do Pronto-Socorro, custará cerca de R$ 12 milhões. O governo garante que a redução de despesas, associada a remanejamentos orçamentários, garantiria os recursos para a obra, mas não descarta a possibilidade de receber esse dinheiro da Uninove, instituição que instalará o curso privado de Medicina em Bauru e tem o interesse em dispor de uma unidade como a idealizada por Clodoaldo Gazzetta e José Eduardo Fogolin.
O projeto contempla um complexo de saúde onde atualmente está o PSC e o PAI, com 3,4 mil metros quadrados de área, contra 1,4 mil metros quadrados existentes hoje. O local abrigaria ainda o novo Centro de Diagnóstico, prometido pelo prefeito durante sua campanha.
“Primeiro nós queremos mudar a filosofia de atendimento do Pronto-Socorro em Bauru. Coordenei toda a rede de urgência e emergência e alta e média complexidade quando estive no Ministério da Saúde. Bauru vive o mesmo modelo de 20 anos. O PS Central não tem estrutura física e nem de modelo para atender às vítimas mais graves. Queremos instituir o Centro de Referência para pacientes graves serem atendidos nessa estrutura. Hoje, temos 25 leitos de enfermaria, considerando infantil e adulto. Por isso é que fica aquele monte de maca no corredor. A proposta é passar para 55 leitos”, explicou Fogolin ao JC, no último domingo.
Para o Centro, também foi projetada construção de um estacionamento subterrâneo.
| Divulgação |
| Imagem do projeto mostra como ficaria o novo Centro de Saúde proposto pelo governo |