07 de julho de 2026
Geral

Onde e como crise aquece concurso?

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

Malavolta Jr.
Preparador de concurseiros, professor Ferraz

O turbilhão de angústia, frustração e perda de esperança diante da crise econômica não pode servir de muleta para você "jogar a tolha" e tampouco significa que todas as portas vão se fechar no mundo do trabalho. Apesar dos dados demonstrarem revés no nível de emprego em diferentes setores, com a projeção mais serena entre analistas apontando que o Brasil passará dos 11,9% para 13% de desempregados ao longo de 2017, alguns segmentos vão despontar. E esse raciocínio vale também para concursos públicos.

Entre eles, para quem procura estabilidade e remuneração média atrativa, a área de saúde, incluindo os serviços complementares de sua cadeia, seguirá firme como impulsionador de vagas. Além disso, profissionais habituados com o mercado de recursos humanos apostam que concursos para funções técnicas, de analistas e de nível intermediário, em uma diversidade de áreas de repartições públicas federais e estaduais não terão como represar contratações mesmo nessa fase de retração.

Ao contrário, em algumas carreiras, a pressão por reposição de profissionais e a crescente demanda por atendimento vai exigir solicitação de prestação de serviços através de órgãos públicos. E esse movimento torna imprescindível a realização de novas contratações. Em âmbito municipal, a despeito do controle de gastos com pessoal em razão dos limites impostos com a lei fiscal, as áreas predominantemente de serviços continuarão a precisar de vagas.

E se é verdade que há mais de 12 milhões de pessoas sem trabalho, também é fato - por razões estruturais de ensino e ausência de qualificação - que a maior parte desse contingente encontra-se longe do nível de aprendizado exigido para muitas das vagas em concursos públicos. E aqui entra outro diferencial: não confundir excesso de inscritos em concurso com aumento da concorrência efetiva por uma vaga. (leia sobre isso na próxima página).

Então, ficar lamentando crise e falta de oportunidade não vai resolver seu problema. E a carteira de trabalho com o espaço destinado à contratação não pode permanecer em branco pra sempre.

Para quem entende de análise de cenário, em especial sob a nuvem do ambiente de retração, o setor de saúde será um dos que mais empregará nos próximos anos. E aqui a pressão por mais colaboradores vai se dar tanto sobre carreiras de nível superior quanto sobre intermediárias, do técnico ao serviço de base (administrativo e operacional).

E, nesse ponto, é razoável deixar a desmotivação de lado e pensar em "trocar de área", recomeçando em uma nova carreira por intermédio dos concursos para funções intermediárias. "O mercado oferece oportunidades para os 'concurseiros' tradicionais, aqueles que estão realizando plano de estudo de dois, três ou mais anos, para alcançar carreira de maior nível de disputa e exigência. Mas muitas vagas também são abertas para níveis com conteúdos intermediários, que podem ser disputados por quem tem formação em diferentes áreas", sugere professor Norisvaldo Ferraz, especialista na preparação de "concurseiros" em Bauru.

Conselhos do expert em aprovação

William Douglas Resinente dos Santos, juiz federal, professor, vendeu mais de 1 milhão de exemplares de livros tratando sobre orientações, auto ajuda e caminhos para aprovação em concursos públicos. Mantém um site e blog com conteúdos públicos sobre seu "modelo" de estratégia, planejamento e estudo para o sucesso em concursos e acumula palestras por todo o País sobre o assunto. Veja, a seguir, uma compilação de orientações disponibilizadas por William Douglas sobre os "segredos da aprovação":

"A maior empresa do País chama-se governo. E o seu convite é que você venha participar do serviço público. E o empregador vai te dar uma série de vantagens. Mas nessa jornada pela aprovação em concurso público via acontecer o desânimo, a dificuldade. Mas se você realizar o plano do jeito certo você terá menos choro, menos tristeza. Mas você terá".

"Cuidado, se você quer passar em concurso precisa conversar, ouvir e acompanhar quem já passou em concurso. Porque mesmo que você execute o plano certo de estudo, você poderá ser reprovado em vários concursos. E ai você vai enfrentar uma das fases difíceis da caminhada, com muitos, inclusive, dizendo que não tem mais jeito. E se você cair nessa conversa, não vai dar".

"Outra coisa. Com crise, com menos dinheiro, com corte, o governo vai até fazer menos concurso agora, vai segurar despesa, mas uma hora vai abrir concurso, vai ter de repor mão de obra, não tem jeito. E se você não aproveitou essa fase para estudar, você vai ser superado por aquele que estudou enquanto você ficou ouvindo o amigo, o primo, a tia, de que era perda de tempo ficar estudando".

"Não estou preocupado quando virá o concurso. Estou preocupado se você vai fazer o máximo possível. E esse máximo possível também tem regra e cada um reage de um jeito ao programa de estudo. Reprovação em concurso não é problema. Desde que em cada reprovação você se pergunte por que você foi reprovado. Ou você não estudou, ou ficou nervoso, ou estudou errado, ou não soube fazer a prova".

"Fazer concurso exige também sacrifício. Então você tem de renunciar, tem de pagar o preço. O sujeito monta seu plano de estudo e chega um feriadão e ele vai passear e para. O outro que estuda vai ficar na sua frente. Concurso exige renúncia. E mesmo quem passou e ainda não foi chamado tem de continuar estudando. O plano de estudo só para quando você assume sua vaga no concurso".

"O que mais atrapalha passar em concurso? Excesso de lazer, problema em casa com pais, filhos, esposa, medo de não passar, insegurança, pressa em passar, memória, trabalho, falta de planejamento".

Onde estão as vagas em todo o Brasil?

A temporada de concursos inadiáveis já apresenta seus primeiros editais deste ano. A Receita Federal é um dos citados. No total, serão 400 vagas que contemplarão as carreiras de assistente e analista para o Ministério da Fazenda, em vários estados do Brasil. Para participar, será preciso ter nível superior para a função de analista. A remuneração pode chegar a R$ 16.201,64. Já para o cargo de assistente é preciso nível médio completo e o salário chega a R$ 3.756,82.

Mais detalhes no link (https://www.esaf.fazenda.gov br/assuntos/concursos_publicos/em-andamento-1/atrfb/edital-23 pdf).

Com mais de 2 mil vagas para soldados, o concurso da Polícia Militar de São Paulo será organizado pela Fundação Vunesp. As exigências em relação aos candidatos é de idade mínima de 17 anos e máxima de 30 anos, bem como altura mínima de 1,60m para homens e 1,55m para mulheres.

Além disso, é preciso ter carteira de habilitação nas categorias B e E e ensino médio completo. O salário inicial é de R$ 2.929,27, mais R$ 571,71 de insalubridade.

O Ministério da Saúde também vai contratar. Até o dia 21 de março está prevista a abertura do edital para as inscrições. O processo busca o preenchimento de 102 cargos em nível superior para analistas técnicos de políticas sociais, administradores e contadores. Todas as funções são para a cidade de Brasília.

Para quem não tem restrição para mudar de residência, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) vai abrir concurso para preencher 650 vagas de servidores públicos na instituição. O pedido de certame já foi autorizado pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MPOG) e está sendo incluído na Lei Orçamentária Anual. As funções são oficial de inteligência, agente técnico de inteligência, agente de inteligência e oficial técnico de inteligência.

Já o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Dyogo de Oliveira, afirmou na última semana, em entrevista coletiva, que os editais serão garantidos para reposição de vagas autorizadas pela lei orçamentária já aprovada. A peça enviada ao Congresso não previu autorização para novos concursos públicos.

Mas, segundo o mesmo Ministério do Planejamento, as contratações em caráter excepcional somam 18.690 cargos para provimento, admissão e contratação previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2017. A LOA foi aprovada pelo Congresso em dezembro.

Dentro desse total estão reservadas 4.963 vagas são para preenchimento de cargos civis referentes a concursos já em andamento ou para atender eventuais a demandas judiciais. Mas outros 2.150 se referem àsubstituição de funcionários terceirizados, 10.503 para fixação de 1.074 das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.

Outro cuidado: para quem está no meio da jornada de estudo, ou na "reta final", não desanime. Leia (na próxima página) como replanejar os estudos em razão da atual realidade, sem perder o que já estudou.

Outra advertência. A suspensão de concursos refere-se à "ampliação de quadro" e a decisão é restrita ao governo federal. Os analistas recomendam verificar que o foco se deslocará para capitais e prefeituras. Isso porque o número de vagas para órgãos estaduais e prefeituras, mesmo considerando só capitais, é de 19 mil.

Os mantras do concurso

- Plano: Estudar pra passar

- Prazo: Não sei; até passar

- Eu acredito na meta

- Fazer e cumprir plano de estudo

- Apontar três coisas que atrapalham estudo

- Apontar três coisas que ajudam no estudo

- Aprender a usar o cérebro como aliado

- Gestão e compromisso com tempo de estudo