Se existe um tema que vem causando polêmica e debates muito calorosos, esse tema atende pelo nome de jejum intermitente. Ficou mais conhecido por várias celebridades o citarem em entrevistas, por conta da ajuda do jejum na hora de atingir o peso ideal. Usar o jejum para emagrecer é um tema que ainda causa muita controvérsia e pede estudos sobre isso. A ideia da coluna não é indicar o jejum intermitente para perda de peso, mas, sim, para algo que funciona muito: a produtividade e os benefícios ao cérebro.
Mas e a questão de comer de três em três horas?
Para Mark Mattson, chefe do Laboratório de Neurociência do Instituto Nacional de Envelhecimento, existe uma pressão muito grande em torno dessa questão de fazer três grandes refeições e pequenas refeições entre elas por parte da indústria alimentícia. Claramente essa indústria tende a ganhar muito dinheiro com esse padrão. Outra indústria que tende a lucrar sem o jejum é a farmacêutica, uma vez que, assim que as pessoas se tornam mais saudáveis, tendem a consumir menos medicamentos.
E por que o jejum é tão benéfico?
Quando alguém faz jejum, as melhoras acontecem diretamente no cérebro, por exemplo:
l1. O jejum ajuda a iniciar medidas protetivas que equilibram os sinais superexcitados que os cérebros epiléticos muitas vezes exibem. As crianças que sofrem de epilepsia têm menos episódios do quadro quando são colocadas em dietas de restrição calórica.
l2. Cérebros normais, quando superalimentados, podem experimentar outro tipo de excitação descontrolada, impedindo o funcionamento cerebral.
l3. Estudos comprovam que a restrição calórica (jejum) retarda doenças crônicas relacionadas à idade, melhora a qualidade de vida e também a prolonga.
l4. Pesquisas mostram que acontecem mudanças bioquímicas no cérebro, com melhora da capacidade cognitiva (aprendizado). Isso porque o jejum também é um desafio ao cérebro, que precisa se readaptar a essa nova condição. Ao jejuar, circuitos neurais são ativados, níveis de fatores neurotróficos aumentam e isso promove o crescimento de neurônios e o fortalecimento das sinapses.
l5. Em jejum, nosso corpo pratica uma atividade interessante: ele faz o reparo celular, que inclui a autofagia, na qual células digerem e removem proteínas velhas e disfuncionais de dentro delas. Essas proteínas velhas podem levar ao surgimento de câncer, por exemplo.
l6. Quando você faz jejum, seu corpo altera os níveis hormonais para tornar a gordura armazenada disponível para as células. Além disso, o corpo produz picos do hormônio de crescimento, o que traz grandes benefícios na queima de gordura.
l7. Também há uma melhora quanto à sensibilidade em relação à insulina: os níveis de insulina no sangue caem bem.
Aumento de produtividade, sim!
Estudos científicos realizados nos Estados Unidos reuniram evidências de que a restrição de calorias pode trazer benefícios para a saúde a longo prazo: qualidade do sono, humor com menos altos e baixos e também melhora na produtividade. Quanto a esse último item, um grupo adepto do jejum e que estuda o tema na Califórnia, EUA, aponta para a evidência de que a produtividade aumenta nos dias em que não se alimentam, eles relatam ter uma sensação de maior agilidade mental e capacidade de concentração. A melhora é tão clara que funcionários de uma empresa de start-up americana deixam de se alimentar às terças-feiras e voltam a comer na quarta-feira de manhã. Isso por conta própria, viu!
Como jejuar?
Existem diversas escolas nesse sentido, tanto com a restrição total de calorias por um determinado período de tempo na semana quanto ao plano 5:2, no qual você reduz sua comida para um quarto das suas calorias normais nos dias em jejum (que deve ser algo como 600 calorias para homens e 500 calorias para mulheres em um ou dois dias da semana).
Nos dias de jejum, estão liberadas muita água e outras bebidas sem caloria, como café e chá com adoçante ou sem nada.
Já nos dias em que você vai comer, alimente-se normalmente com a quantidade de calorias permitida, cerca de 2.000 para as mulheres e 2.500 para os homens.
Aqui, a minha ideia é mostrar o jejum como alternativa para a melhora da sua saúde, não ensinar a fazê-lo, ok?
Causa perda muscular, mito ou verdade?
Uma das maiores polêmicas é o fato de o jejum intermitente causar perda muscular. Isso é mito. Até porque a perda muscular é resultado de diversos fatores, incluindo a atrofia que ocorre quando você não pratica atividades físicas regularmente. A falta de proteína também leva à perda de músculos, por isso, nas refeições, precisamos da proteína que vem de ovos, carnes e peixes. Fontes de proteína vegetais são fontes insuficientes de aminoácidos essenciais. Até o momento, nenhum estudo conseguiu comprovar que jejuns curtos, de menos de 12 horas, causam perda muscular, dado que os indivíduos sejam alimentados com quantidades suficientes de proteína animal antes do período de jejum. Somente jejuns longos causam perda de massa muscular. Mas a ideia do jejum intermitente não é ficar longos períodos sem comer, como já vimos.
Há pessoas que não podem fazer jejum intermitente?
Se você estiver grávida, tentando engravidar ou amamentando, deixe o jejum intermitente para outro momento da vida.
Em todo caso, para qualquer pessoa, é necessário conversar com seu médico e também com um nutricionista, para acertar sua alimentação. Antes de aderir a essa pratica, é necessário investigar doenças orgânicas através de exames de sangue, ou seja, impossível pular a visita ao médico. Até porque, com saúde a gente não pode brincar!