Washington - O presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em entrevista ao jornal The Wall Street Journal que vai manter as sanções contra a Rússia "pelo menos por um período de tempo", e também disse que não irá comprometer-se com a política de "uma China" até ver progresso de Pequim em suas atuais práticas comerciais.
Em trecho de uma entrevista de uma hora de duração Trump disse: "Se você se dá bem e se a Rússia estiver realmente nos ajudando, porque alguém teria sanções se alguém está fazendo algumas coisas realmente grandes?".
Trump sugeriu que pode retirar as sanções - impostas por Obama em dezembro como resposta aos supostos ataques cibernéticos russos contra os EUA - se Moscou se mostrar prestativa no combate a terroristas e na obtenção de objetivos em comum com Washington, informou o jornal.
O presidente-eleito disse ao jornal que está preparado para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, em algum período após tomar posse, em 20 de janeiro.
Questionado se apoia a política de "uma China" em Taiwan, algo que pautou as relações dos EUA com Pequim por décadas, Trump afirmou: "Tudo está sob negociação, incluindo a política de 'uma China'".
CONSELHEIRO
Michael Flynn, escolhido pelo presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, como conselheiro de segurança nacional, realizou cinco ligações telefônicas com o embaixador da Rússia nos EUA no dia em que o governo norte-americano retaliou Moscou pela interferência na eleição presidencial, disseram três fontes próximas ao assunto.
As ligações ocorreram entre o momento em que a embaixada russa foi informada das sanções e o anúncio do presidente russo, Vladimir Putin, de que ele decidira não retaliar de volta, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas.
As ligações levantam dúvidas entre algumas autoridades norte-americanas sobre os contatos entre assessores de Trump e autoridades russas, em um momento no qual as agências de inteligência norte-americanas sustentam a tese de que Moscou realizou uma grande campanha de hackers para alavancar as chances do republicano e minar a candidatura da democrata Hillary Clinton.
No dia 29 de dezembro, o presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou a expulsão de 35 diplomatas russos suspeitos de serem espiões, e aplicou sanções a duas agências de inteligência russas por suposto envolvimento em invadir os sistemas de grupos políticos dos EUA.