Madri - Uma série de declarações de Donald Trump, presidente eleito dos EUA, causou mal-estar com aliados europeus ontem, a quatro dias antes de sua posse, que será sexta-feira.
Trump falou ao jornal alemão "Bild" e ao britânico "Times", suas primeiras entrevistas com veículos europeus desde sua eleição, em novembro do ano passado.
Ele criticou a Otan (aliança militar ocidental) e a entrada de refugiados na Alemanha. Por outro lado, o presidente eleito elogiou a recente decisão britânica de deixar a União Europeia.
Trump será o primeiro líder americano desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) a não apoiar o projeto de integração europeia, segundo o diário americano "Washington Post".
Em relação à Otan, por exemplo, o republicano afirmou que é obsoleta porque não enfrenta o terrorismo. Ele também disse que os membros da aliança não contribuem de maneira justa, referindo-se ao quanto do orçamento diferentes países investem. Os EUA arcam com cerca de 70% dos gastos.
ANGELA MERKEL
Trump disse ainda que a política alemã de abrir as fronteiras para refugiados foi um "erro catastrófico", em uma crítica à chanceler Angela Merkel, que ele descreveu, por outro lado, como uma "líder fantástica".
"Acho que ela cometeu um erro bastante catastrófico que foi receber todos esses 'ilegais', você sabe, receber todas as pessoas de onde quer que eles tenham vindo", disse. Quase 900 mil refugiados chegaram à Alemanha em 2015, a maior parte sírios.
Um porta-voz de Merkel disse que a chanceler "leu com interesse" as declarações de Trump. "Penso que nós, europeus, temos nosso destino em nossas próprias mãos", rebateu Merkel, que disse ainda que "separaria de modo claro o terrorismo da presença de refugiados da guerra civil síria".
LUTHER KING
Uma filha do líder da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos Martin Luther King se posicionou ontem, feriado em homenagem ao seu pai, ao lado do congressista negro e ativista John Lewis em uma controvérsia surgida no fim de semana com o presidente eleito dos EUA, Donald Trump.
Lewis, de 76 anos, é contemporâneo de King e foi vítima de espancamentos além de ser preso na luta pela igualdade racial na década de 1960. Bernice King, filha mais nova de Martin Luther King, que faria 88 anos no domingo, teve seu discurso interrompido em vários momentos por aplausos na Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta, localizada no distrito pelo qual Lewis foi eleito e onde King já pregou.
Ela disse à plateia para não abandonar a esperança e para "não temer quem está sentado na Casa Branca". "Deus pode triunfar sobre Trump", disse ela, sendo aplaudida de pé.
A missa na Igreja Batista Ebenezer acontece todos os anos no Dia de Martin Luther King Jr., um feriado federal que homenageia o homem que lutou pela justiça racial até ser assassinado em 1968 aos 39 anos.
Trump, por sua vez, elogiou King pelo Twitter ontem. "Celebrem o Dia de Martin Luther King e todas as coisas maravilhosas que ele defendeu. Honrem-no por ser o grande homem que ele foi", tuitou. Trump, que obteve apenas 8% dos votos da população negra teve uma reunião com o filho de King, Martin Luther King 3º, em seu escritório em Nova York.
BOICOTE
A turbulência que marcou a vitoriosa campanha presidencial de Donald Trump se estenderá à sua posse, na próxima sexta. Além de dezenas de protestos populares marcados para Washington, a entrada de Trump na Casa Branca sofrerá um boicote de ao menos 26 deputados democratas.