| Douglas Reis |
| Além de lixo, até vaso sanitário foi descartado em calçada na rua Antônio dos Reis, no Higienópolis |
| Fotos: Malavolta Jr. |
| Lixo depositado em terreno na rua Sérgio Malheiros, no Parque Hipódromo: plásticos, pedaços de madeira e, inclusive, medicamentos; sujeira é tanta que até urubu fez uma “visitinha” ao local na tarde dessa terça-feira (17) |
Por descuido ou falta de informação, parte da população insiste em colocar o lixo para fora dos imóveis muito antes de a coleta passar. Outros, por falta de educação, jogam dejetos e entulhos em terrenos baldios. Com a chuvarada das últimas semanas, muito desse material acabou sendo arrastado até bocas de lobo, causando entupimentos, o que potencializa ainda mais os riscos de inundações, já tão frequentes nesta época do ano.
A prefeitura tenta desentupir os locais mais críticos, porém, reconhece que a demanda é maior que sua capacidade.
Nessa terça-feira (17), a reportagem percorreu alguns trechos da cidade e constatou o problema. Até vaso sanitário havia sido deixado em calçada na rua Antônio dos Reis, Higienópolis.
Em meio a tal cenário, a Emdurb orienta sempre tirar o lixo das casas no horário mais próximo possível da passagem dos funcionários da limpeza (leia mais abaixo).
Para tentar reverter a situação dos entupimentos, a Secretaria de Obras está mobilizada desde o temporal do dia 9 de janeiro. Entretanto, o titular da pasta, Ricardo Olivatto, reconhece que não está sendo possível atender toda a demanda a curto prazo e apela para conscientização dos moradores.
Ele destaca que, por dia, são constatadas ao menos 30 bocas de lobo com necessidade de limpeza e desobstrução. “Estamos com 30 profissionais para executar o serviço em toda a cidade”, frisa.
Ele critica o “alto nível de negligência da população”. “Temos observado muito lixo ensacado, à disposição de enxurradas. Em alguns casos, quando não entopem as bocas de lobo, param no meio da tubulação, o que dificulta ainda mais o trabalho de desobstrução da rede. Além de embalagens plásticas, encontramos pedaços de móveis, telhas, tijolos e até mesmo animais mortos”, aponta o secretário.
CALÇADAS
Em curto trecho percorrido na tarde dessa terça-feira (17), a reportagem se deparou com exemplos de lixos deixados em calçadas, sem nenhum tipo de “proteção” que evitasse que a água da chuva os arrastasse. Na avenida Engenheiro Hélio Police, Jd. Redentor, havia sete sacos plásticos apoiados em poste de iluminação pública. Já no Parque Paulista, na rua José Pereira Guedes, a mesma cena, com algumas sacolinhas rasgadas.
Vale lembrar que sacos de lixo rasgados na rua e que acabam sendo levados pela chuva também colaboram na proliferação de insetos e doenças. E que material inadequado exposto ao tempo serve de criadouro para o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, febre chikungunya e zika.
“Uma das dicas é sempre deixar o lixo no alto, de preferência em cestos metálicos, para que não tenham contato com a enxurrada”, observa Ricardo Olivatto.
URUBU
Outro exemplo de falta de conscientização dos moradores é o descarte de lixo em terrenos baldios. Na rua Sérgio Malheiros, Pq. Hipódromo, área com mato alto estava “forrada” de materiais como garrafas, plásticos, papéis, colchões, madeiras e, inclusive, medicamentos. Tanta sujeira atraiu até um urubu, que rodeava o local nesta terça.
Próximo dali, uma erosão na quadra 4 da rua Altair Leite de Campos, Jardim Carolina, também acumulava lixo e até entulhos, restos da construção civil.
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| Trabalho na quadra 11 da rua Benedito R. dos Santos, Geisel |
Prefeitura prioriza áreas atingidas pelo temporal
Nos últimos dias, as equipes da Divisão de Drenagem da Secretaria de Obras vêm atuando no trabalho de limpeza e desobstrução das bocas de lobo em diversos pontos da cidade, mas a prioridade são as áreas mais atingidas pelo temporal do dia 9, onde as caixas coletoras apresentaram grande quantidade de terra e lixo arrastados pelas enxurradas.
“Estamos priorizando o bairro Popular Ipiranga e trechos da Nações Unidas”, destaca o titular da pasta, Ricardo Olivatto, ressaltando que, ontem, foram realizadas manutenções em galerias de águas pluviais em dois pontos da cidade: Nações, altura da Praça do Líbano, e quadra 11 da rua Benedito Ribeiro dos Santos, Núcleo Geisel.
| Divulgação |
| Córrego da Grama passou por limpeza nesta terça |
Como colaborar?
Gerente de limpeza pública da Emdurb, Nivaldo Peres orienta que deve-se colocar o lixo para fora do imóvel ao menos 30 minutos antes de o caminhão da coleta passar. “Muitos colocam o lixo na rua de manhã, por exemplo, sabendo que a coleta só ocorre horas depois, à noite. Nesse meio tempo, animais mexem nos resíduos ou a chuva acaba levando”, frisa o gerente.
“A população sabe o horário, mas creio que, com a correria do dia a dia, não conseguem se seguir essa rotina, mas é necessário”, ressalta Peres.
Os dias e horários da coleta domiciliar podem ser conferidos através do link https://www.emdurb.com.br/php/coleta/coleta_domiciliar.
LIXO EM RIOS
A Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Obras, realizou nesta semana a limpeza do Córrego da Grama, localizado nos trechos da rua São Sebastião, no Jardim da Grama, avenida Daniel Pacífico, na vila São Manuel, e do Córrego Água do Sobrado, na rua Nilo Peçanha, Vila Giunta.
De acordo com a pasta, a limpeza desses trechos consiste na desobstrução dos canais, com a retirada de lixo e entulho que, geralmente, são arrastados pela enxurrada para o leito do rio e da vegetação que obstruía a passagem da água. O objetivo da ação é amenizar os riscos de alagamento. Uma máquina retroescavadeira foi utilizada para realizar os trabalhos de remoção dos materiais. No Córrego da Grama, ainda foram executados simultaneamente os serviços de contenção das galerias de água pluvial.