| J. Serafim/Divulgação |
| Veículos caíram em cratera aberta em rodovia que liga Borá a Paraguaçu; uma pessoa morreu |
Chuvoso, o mês de janeiro traz um histórico de destruição e tragédias decorrentes dos temporais típicos durante o verão. Em poucos minutos, pancadas de chuva transformam ruas e avenidas em “rios” e carros ficam à deriva, como se viu nessa quarta-feira (18) e nas duas últimas semanas em Bauru e região. Fora esse risco, o problema mais comum enfrentado pelos motoristas são os buracos, tanto em vias urbanas quanto nas rodovias. Neste último caso, a situação é ainda mais preocupante.
Exemplo disso é o trágico episódio ocorrido entre Paraguaçu Paulista e Borá, onde cratera de quatro metros de profundidade - aberta em estrada rural após forte chuva - “engoliu” quatro veículos e deixou uma vítima fatal, nesta terça-feira, conforme o JC noticiou.
O caso reacende alerta a condutores, que nem sempre sabem como agir em situação semelhante. Afinal, qual procedimento deve-se adotar ao se deparar com uma grande erosão na pista? Sinalizar o local primeiro ou acionar as autoridades? Especialistas ouvidos pela reportagem apontam algumas medidas importantes para evitar uma “surpresa” desagradável durante o trajeto.
Novo comandante do 2.º Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) de Bauru, o tenente-coronel Robson Douglas de Souza destaca que deve-se sempre, especialmente durante chuvas, transitar em velocidade compatível e com atenção à segurança do trânsito, observando as condições da via, de forma a ter domínio do veículo.
“Ao se deparar com situações de perigo, a exemplo de buracos de maiores proporções na pista de rolamento, o recomendado é desviar, se for possível, ao invés de frear bruscamente, a fim de evitar colisões traseiras”, frisa.
Caso a cratera tenha bloqueado toda a passagem, o ideal é ir para o acostamento. “Porém, deve-se evitar de parar o veículo muito próximo ao local do perigo, pois há possibilidade de aumento do buraco, o que pode ocorrer dependendo da intensidade da chuva”.
SINALIZAÇÃO
Souza alerta ainda que o motorista deve ter cautela ao efetuar manobra de desvio, cabendo lembrar que, em se tratando de pista simples, ao desviar para a esquerda aumenta o risco de colisão frontal, lateral ou transversal com veículo que transite em sentido contrário.
Após parar o carro diante de uma cratera, o comandante ressalta que a primeira medida deve ser providenciar a sinalização de advertência, acionando o pisca-alerta, além de avisar o Policiamento Rodoviário ou a concessionária que administra a rodovia.
“Se o veículo não sofreu avaria que impossibilite sua condução, não convém permanecer no local, para evitar aglomerações que possam contribuir para acidentes. Nos períodos de chuvas, deve-se evitar transitar por locais com possibilidade de alagamentos”, finaliza.
Dentro da cidade
Atual diretor de trânsito e transporte da Emburb, Augusto Francisco Cação indica os cuidados específicos que os motoristas devem ter ao “topar” com buracos nas vias. Ele destaca que, em locais desconhecidos, mesmo na área urbana, é necessário reduzir a velocidade.
“Nível da água na altura do centro da roda é sinal de perigo. Quando é possível enxergar o buraco, o indicado é desviar, mas tomando os devidos cuidados com o fluxo do trânsito, para evitar colisões”, pondera.
Alguns procedimentos adotados em rodovias são os mesmos para a cidade. “Em casos de grandes erosões, deve-se parar o carro em local seguro, sinalizar a via e acionar a Emdurb ou Polícia Militar”, diz.
Conforme orientação de alguns especialistas, se o motor desligar, não é recomendável acioná-lo enquanto a água estiver sobre as rodas. Caso a água entre no carro, é necessário levá-lo a uma oficina para secagem e verificação dos componentes que podem ter sido danificados. Se o líquido atingir o motor e os componentes mecânicos e elétricos, o prejuízo é maior.
O serviço de conserto pode variar de R$ 600 a R$ 20 mil, dependendo do modelo do carro, e levar de sete a 30 dias para ficar pronto. As seguradoras cobrem esse tipo de caso, mas dão perda total do automóvel quando o custo de reparo do veículo ultrapassa 75% do seu valor.
Em 1973...
E o perigo a que os motoristas estão sujeitos nas rodovias por conta das crateras não é algo recente. Prova disso é a imagem registrada por Celestino de Stefani, repórter fotográfico do Jornal da Cidade em 1973. Naquele ano, também após fortes chuvas por toda a região, um enorme buraco engoliu um caminhão na rodovia Bauru-Iacanga. A imagem impressionante faz parte do arquivo de fotografias do JC. É o passado que alerta para um momento bastante presente. É um passado que, principalmente, faz pensar em soluções para o futuro...
| Malavolta Jr./Reprodução |
Janeiro com histórico trágico neste problema
Assim como o episódio ocorrido nesta semana entre Paraguaçu e Borá, onde cratera em estrada rural “engoliu” quatro veículos e fez uma vítima fatal, o mês de janeiro acumula outras ocorrências em que a chuvarada provocou prejuízos e mortes na cidade e região.
No sábado passado, um Fiesta Sedan foi “sugado” por cratera formada na cabeceira de uma ponte localizada à rua Manoel Amâncio, em Lençóis Paulista. O motorista alegou à polícia que o asfalto cedeu, de repente. Ele não se feriu.
Já um empresário de 37 anos não teve a mesma sorte ao cair com o carro em uma cratera aberta pela chuva na rodovia da Amizade, que liga Agudos a Borebi, no dia 31 de janeiro do ano passado. Na ocasião, ele foi encontrado sem vida dentro do carro, no dia seguinte.
Em Bauru, temporal semelhante ao da semana passada atingiu a cidade no dia 12 de janeiro de 2016 e provocou um grave acidente na rodovia Elias Miguel Maluf, a Bauru-Piratininga, onde dois veículos caíram no Rio Batalha após ponte de concreto ceder. Três pessoas ficaram feridas, uma delas com gravidade.
Na ocasião, o então prefeito Rodrigo Agostinho, o secretário de Obras Sidnei Rodrigues e o titular interino da pasta Etelvino Zacarias Martins (à época) ajudaram no resgate. Os três entraram na água e conseguiram tirar uma das vítimas.