08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Oremos e vigiemos

Ivan Jubert Guimarães
| Tempo de leitura: 2 min

Hoje pela manhã, assistindo o pronunciamento de Ricardo Boechat, no Café com Jornal, da Band News, sobre o acidente aéreo que matou o ministro Teori Zavascki, o meu pensamento voou para um passado não distante quando, em seu comentário, ele lembrou da frustração do País quando da doença e posterior morte do presidente civil eleito, pondo fim ao regime militar.


Estranhamente, eu preparava o meu café da manhã e pensava não tanto em Tancredo, mas, muito mais distante, me lembrei de Tiradentes.


A Inconfidência Mineira estava a poucos passos de conseguir liberdade para o Brasil diante do reino de Portugal, quando Joaquim José da Silva Xavier, suposto líder do movimento, foi condenado à morte por enforcamento após ser traído por Joaquim Silvério dos Reis. O ano era 1792, exatamente no dia 21 de abril.


Voltando à morte de Tancredo, anunciada pelo então jornalista Antonio Britto, me veio à lembrança o que ocorreu com Tiradentes: uma morte exatamente no mesmo dia em 21 de abril.


Tiradentes teve seu corpo esquartejado em sete partes e Tancredo sofreu sete cirurgias. Terá sido coincidência? São João Del Rey, Vila Rica, hoje Ouro Preto?


Tancredo, ainda enfermo, não chegou a assumir a Presidência e seu vice assumiu. O vice de Tancredo era José Sarney, senador da República durante o regime militar.


Na doutrina espírita, comentou-se que, após a morte de Tiradentes, Joaquim Silvério dos Reis havia se arrependido e, após sua morte e retorno ao plano espiritual, passou longo tempo em recuperação até que mentores espirituais o chamaram e tiveram um diálogo parecido com esse: ”Irmão Joaquim, chegou a hora de você reencarnar. Você vai nascer de novo no Brasil, só que não vai mais se chamar Joaquim Silvério dos Reis, desta vez seu nome será Tancredo Neves”.


Não acredita em reencarnação? Sem problemas, eu também não acredito em coincidências.


Agora, com a morte do ministro Teori Zavascki, relator do processo da Operação Lava Jato, não se sabe como esta continuará. O presidente Temer deverá indicar um novo nome para substituir o ministro e o Supremo deverá indicar o novo relator e as opções não são de meu agrado. Haverá atrasos na Lava Jato, pois os delatores da Odebrecht terão seus depoimentos realizados somente após a volta do recesso parlamentar.

O Senado deverá aprovar ou não a indicação de Temer e muita gente já começa a falar em teoria da conspiração. Convém a todos nós aguardarmos o desenrolar das investigações sem especulações precipitadas, mas lembremos que vivemos no “Reino de Todas as Possibilidades”. O que será da Operação Lava Jato sem seu competente e justo relator? Oremos e Vigiemos!