10 de julho de 2026
Internacional

Por decreto, Donald Trump retira os EUA do acordo Transpacífico


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Washington  - Cumprindo uma de suas principais promessas de campanha, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva ontem para retirar o país da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), peça central da estratégia comercial e geopolítica de seu antecessor, Barack Obama.

A parceria estabelece normas comuns sobre questões que vão desde os direitos dos trabalhadores à proteção da propriedade intelectual. Assinado em 2015 por EUA e outros 11 países, o TPP é o maior acordo comercial da história, abrangendo 40% do PIB mundial.

A retirada americana inviabiliza o tratado, já que para entrar em vigor ele precisa ser ratificado por países que representam 85% do PIB total dos signatários -só os EUA têm 60%.

"É uma grande coisa para o trabalhador americano o que acabamos de fazer", disse Trump após assinar a ordem retirando os EUA do TPP.

O fim do TPP deve beneficiar a China, justamente um dos alvos mais constantes de ataques de Trump, abrindo espaço para que Pequim aumente sua influência na Ásia com iniciativas como a Parceria Regional Econômica Ampla (RCEP, na sigla em inglês). O pacto em negociação entre a China e outros 15 países (sem os EUA), é um acordo comercial mais tradicional que o TPP, que estabelece normas em áreas como direitos trabalhistas e proteção ambiental.

Em meio ao discurso protecionista que dominou a campanha presidencial americana, o TPP não chegou sequer a ser objeto de debate no Congresso para ratificação, e mesmo a candidata do partido de Obama, a democrata Hillary Clinton, se mostrou contrária à iniciativa.

No domingo, o republicano anunciou que iniciará em breve conversas com México e Canadá para renegociar o Nafta (acordo de livre comércio da América do Norte), e que, caso os termos do pacto não sejam revistos, os EUA deixarão a parceria.

Economistas temem que o colapso dos acordos de integração comercial leve a uma série de consequências negativas, como redução do acesso dos EUA a seus maiores mercados de exportação, Canadá e México. Aumentos de tarifas impostos pelos EUA poderiam ser alvo de retaliação tarifária -no caso dos países do Nafta, isso poderia aumentar o preço de vegetais, frutas, carros e gasolina nos EUA, principais produtos exportados para o mercado americano.

OUTROS DECRETOS

Trump assinou outras duas ordens executivas ontem: uma que proíbe ex-funcionários do governo de fazer lobby por cinco anos, e outra que impede organizações estrangeiras de receber ajuda do governo caso promovam o direito ao aborto usando fundos do exterior.