09 de julho de 2026
Nacional

Aeronáutica lida com desorientação de piloto

Leandro Colon
| Tempo de leitura: 2 min

Almir Lima/Estadão Conteúdo
Destroços do avião foram retirados do mar ontem e seguem hoje para o Rio de Janeiro

Análise preliminar do áudio da cabine do avião que caiu com o ministro do Supremo Teori Zavascki indica que houve uma desorientação espacial do piloto, segundo técnicos da Aeronáutica que investigam o caso.

A conclusão final dependerá ainda de uma perícia técnica do avião, um King Air C90, sobretudo em seus dois motores. Mas, diante dos indícios coletados até o momento, a desorientação do piloto Osmar Rodrigues é a única hipótese em discussão para explicar a causa do acidente na última quinta, de acordo com a apuração conduzida pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

A desorientação ocorre, por exemplo, quando o piloto perde a noção do espaço do avião em relação ao solo. Um relatório preliminar deve ficar pronto nos próximos dias.

As investigações apontam que a aeronave voava com um teto de 150 a 200 pés (45 a 60 metros de altitude) pouco antes da queda, ou seja, estava muito próxima do mar em Paraty (RJ). Nas palavras de um técnico do Cenipa, o piloto “ciscava” em busca de uma brecha que facilitasse o pouso no aeródromo da cidade.

Sem a ajuda de um copiloto e focado em buscar um caminho para aterrissar, o piloto teria perdido a noção de que estava tão perto da água. Sem essa referência visual, ao fazer uma curva, tocou com a asa da aeronave na água, capotando em seguida -além de Teori, quatro pessoas morreram.

Antes de cair nas águas de Paraty, o avião fez uma tentativa frustrada de pouso, segundo as investigações. Num trecho da gravação, Rodrigues diz a expressão “setor Eco”, que significaria uma curva para o lado leste. Depois, utiliza a palavra “final”, quando estaria então se preparando para pousar.

Um barulho forte é ouvido, de acordo com os investigadores, pouco antes de a gravação ser interrompida, uma espécie de “ruptura”. Acredita-se que, neste momento, o avião tenha se chocado com o mar.

Não há registros de alertas de emergência, pânico, ou algo parecido. De acordo com os técnicos do Cenipa, o áudio captou apenas o que foi dito na cabine -os ruídos de vozes dos passageiros são perceptíveis, mas “inaudíveis” tecnicamente.

DESTROÇOS

Os destroços do avião foram todos retirados e já chegaram nessa terça-feira (24), de balsa a Angra dos Reis, de onde seguirão nesta quarta-feira (25), de caminhão,  para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, onde passará por perícia.