11 de julho de 2026
Articulistas

Deu no WhatsApp: Bauru quase foi destruída no dia de ontem!

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Eu juro que é verdade. Ocorreu tudo na manhã de ontem. Tudinho. A tia da empregada da prima da minha mãe estava lá e contou para a cunhada da filha dela, que enviou a história no meu WhatsApp. Enfim, é tudo verdade verdadeira! Certeza que vai dar tim-tim-por-tim-tim no Fantástico no próximo fim de semana.


Começou lá no CDP. Não, calma! Parece que foi no CPP. Mas, Bauru tem três CPPs. Foi o antigo IPA? Bom, não sei. Mas isso não importa agora. É só detalhe. Enfim, acho que foi em todos eles. Isso mesmo. Foi geral. Virou geral. Os presos saíram feito loucos. Centenas deles. Eram uns 200. Opa. Faltou um ‘zero’. Eram 2.000. Milhares. Botaram fogo em tudo. Na fuga, mataram uma pessoa. Eu disse uma? Não, não. Foi mais de uma. Matança geral.


Daí, eles desceram pela avenida Nações Norte. Eram uns 20.000 já naquele momento. Fizeram um comboio. Carregavam foices, machados, facões e espadas ninjas. Isso. Aquela mesma espada da personagem do The Walking Dead. Aquela série de TV dos zumbis. Exatamente. Eles pareciam zumbis. Matavam por onde passavam.


Até ali, ninguém sabia o motivo de tudo isso. Alguns juravam que eles se rebelaram por conta da superlotação e das péssimas condições carcerárias de um País historicamente sem planejamento nesse quesito. Outros, diziam que tinha algo a ver com essa guerra de facções criminosas que tem proporcionado um banquete de carnificina pelo Brasil afora. Não tem nada disso. O ex-namorado da minha atual namorada tem um primo que trabalhou dentro de um presídio que nem fica em Bauru e revelou a causa real: o grupo carregava uma faixa com os dizerem “Queremos o Bial de volta no BBB. Fora, Leifert!”. E o comboio da morte seguia. Cercaram residências, shoppings, supermercados e lojas. Fizeram muitos reféns. Nem mesmo a prefeitura escapou. Tomaram o Palácio das Cerejeiras. Até hastearam a bandeira de Bauru de cabeça para baixo. Caos total.


A polícia não conseguia dar mais conta da situação. O prefeito Gazzetta fez a única coisa que podia naquele momento. “HELP!”. Foi essa a breve mensagem que mandou, antes que os telefones parassem de funcionar, clamando por ajuda aos Estados Unidos. Donald Trump atendeu prontamente e enviou uma aeronave equipada com uma bomba nuclear capaz de riscar Bauru e região do mapa.  


Nesse momento, o comboio assassino estava na altura da Nações Unidas. O avião norte-americano pilotado por Jack Bauer (algumas mentes criativas dizem que o piloto era o Chuck Norris) já tinha até o ponto de referência para lançar o explosivo: “Acerte bem na réplica da Estátua da Liberdade”. Era o fim. O limite final da cidade Sem Limites.  


De repente, faltando poucos milésimos de segundos para a hecatombe nuclear, ouve-se um trovão, seguido de uma chuva rápida de cerca de 15 segundos. 15 segundos suficientes para alagar a Nações Unidas inteirinha e dizimar todo o comboio de presos.


“Viva! Bandido bom é bandido morto afogado”, gritou um morador, vestindo uma camisa com a foto do Bolsonaro estampada. Era o aviso que faltava para todos comemorarem e se abraçarem, ao melhor estilho dos desfechos de filmes hollywoodianos. Bauru era salva mais uma vez. E, logo depois do almoço, tudo voltou ao normal.


Contando assim, ninguém acredita. Mas é verdade. Verdade verdadeira. Pode confiar. Chegou tudinho pelo WhatsApp!


O autor é editor do JC, jornalista responsável da TV USP Bauru e especialista em Linguagem, Cultura e Mídia.