Caro leitor, como anda sua saúde? Como está sua confiança nos órgãos públicos? Espero que com esse curto desabafo possa esclarecer alguns aspectos dessas indagações.
Em nosso mundinho, pouco ou nada pensamos no pior e em situações de desespero e angústia. Sempre primamos, como bons brasileiros que somos, pelo otimismo. Por muitas vezes nos esquecemos que em algum momento dessa nossa curta existência iremos precisar de ajuda, que não venha do seio familiar e/ou de algum círculo de amizades. Mas, às vezes, precisamos contar com estranhos (anjos) para nos auxiliar em momentos de desespero, onde as mais corriqueiras decisões venham a falhar.
Quero aqui expor uma situação de incredulidade que ocorreu no mês de dezembro em nossa família, pequena, mas otimista. No dia cinco de dezembro de 2016, meu avô, com idade bastante avançada, 90 anos, um único rim, marca-passo com validade expirando e bastante enfraquecido pelo peso dos anos passou muito mal. Teve náuseas e dores intensas no estômago e fora conduzido por nós de imediato ao Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru, onde seria atendido pelo seu plano de saúde.
O diagnóstico, como de costume nessas ocasiões, foi uma indisposição estomacal, sendo medicado e mandado de volta para casa. Que alegria! Apenas isso! Mas, passados dois dias, o quadro voltou a se repetir, mas dessa vez com maior intensidade, tendo inclusive vomitado sangue na cama, onde estava deitado e muito fraco. A dor era tamanha que fez com que desfalece naquele momento.
Qual a melhor atitude a se tomar nesse momento? Colocá-lo em um automóvel e levá-lo sem nenhum amparo ao hospital ou requisitar a ajuda de uma equipe preparada para tal situação? Achamos a segunda a melhor opção. Tentamos o plano de saúde, mas o mesmo nos informou que não estava contratado o serviço de ambulância. O otimismo começa a diminuir. Foi então que tivemos a audácia de tentar o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e após algumas tentativas e vários minutos de espera para falar com o médico responsável veio a surpresa amarga da recusa ao atendimento, alegando que o quadro não se tratava de urgência médica, mesmo o profissional estando a par das condições delicadas do meu avô.
Foi então que uma luz me veio e tentei o Resgate do Corpo de Bombeiros, mesmo sabendo que não é da alçada deles esse tipo de ocorrência. Os mesmos se indignaram, assim como nós, com a omissão por parte do SAMU e tiveram a humanidade de nos dar apoio nesse momento em que os pensamentos estavam completamente desencontrados.
Já no hospital, meu avô teve todo o acompanhamento necessário, os exames, a internação e tudo mais que sua situação delicada exigia.
Graças ao Corpo de Bombeiros de Bauru, aos oficiais do Resgate, a equipe médica e de enfermagem, além de todos os funcionários do hospital Beneficência Portuguesa de Bauru, nós, familiares, pudemos estar ao seu lado meu avô, por mais sete dias! Meu avô foi internado no dia oito de dezembro de 2016 e viera a falecer no dia 15 do mesmo mês.