| Aline Mendes |
| Alberto Malfi Sardilli, Fábio Manfrinato, Mayra Fernandes, Gazzetta, Ricardo Salles, Luiz Pires e Markinho de Souza, na tarde de ontem, no Café com Política do JC, detalharam as decisões sobre as mudanças na gestão e utilização do Horto Florestal |
A Prefeitura de Bauru assumirá a gestão dos 50 hectares que integram o Horto Florestal, localizado na avenida Rodrigues Alves, atualmente sob a responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Essa era uma antiga reivindicação do município, que planeja, além de requalificar o parque para “devolvê-lo” à população, construir no local centros de acolhimentos e destinação de animais selvagens e domésticos.
Trâmites burocráticos ainda precisam ser superados para que a cessão da área se concretize, mas, politicamente, o martelo foi batido, nesta quinta-feira (27), durante agenda do secretário Ricardo Salles na cidade.
O titular do Meio Ambiente no governo paulista visitou o Horto in loco, na companhia da secretária municipal Mayra Fernandes da Silva, e de um dos membros do Núcleo Gestor do governo local, Luiz Pires. Depois, reuniu-se com o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD).
SILVESTRES
Para os animais selvagens, o projeto passa por um Centro de Triagem Regional. O espaço, conta Luiz Pires, abrigará, por exemplo, bichos encontrados na área urbana e atropelados em rodovias.
Atualmente, não há um local adequado para recebê-los, motivo, aliás, de rotineiras reclamações, especialmente de pessoas que, por ventura, se deparam com esses animais e não sabem como proceder.
Pires explica que a ideia é manter o centro por meio de um consórcio entre municípios. Até agora, conta ele, 36 prefeituras já assinaram protocolo de intenções nesse sentido. “Todos vão ajudar e poderão trazer os animais para cá. Bauru, além do perfil de polo regional, tem a expertise do trabalho do Zoológico”, reitera.
DOMÉSTICOS
Já para os cães e gatos, a ideia é construir um abrigo municipal, reivindicação antiga de Ongs e protetores de animais. O local contará com hospital veterinário e cuidará da recuperação de bichos que vivam nas ruas ou que sofram maus tratos, promovendo programas permanentes de adoção e castração, desafogando demandas indevidamente acumuladas atualmente pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).
A castração de animais de famílias carentes, hoje, pode ser feita em clínicas privadas conveniadas com a prefeitura, mas a política ainda é de tímida abrangência, em razão da dificuldade enfrentada pelas empresas em obter a documentação exigida para firmar as parcerias com a administração pública. Em 2016, foram executados 380 procedimentos.
Secretária municipal do Meio Ambiente, Mayra conta que a proposta do governo municipal é utilizar o espaço para atividades de educação ambiental, especialmente no que se refere à guarda responsável.
VIABILIDADE
A proposta do município é construir essas estruturas na área do Horto que fica do lado oposto à área de visitação, utilizando a avenida Rodrigues Alves como referência.
O principal desafio, agora, é viabilizar os recursos financeiros necessários para as obras, cujos projetos ainda dependem de adequações.
“Superada essa etapa, vamos atrás de emendas parlamentares para tirar isso do papel. O deputado federal Ricardo Izar (PP) já sinalizou a disposição em indicar R$ 500 mil do Orçamento da União para o abrigo de animais domésticos”, revela Luiz Pires.
VISITAÇÃO
Outra ação prioritária para o município é ampliar a atratividade do parque para a população de Bauru e região. Atualmente, a área de visitação é muito restrita e é a grande a demanda por reforços na segurança do local, coberto por vegetação recuperada com espécies nativas.
‘Poupatempo Ambiental’
Passa também pelos planos da Prefeitura de Bauru transferir para o Horto Florestal a sede da Secretaria do Meio Ambiente, hoje instalada na avenida Alfredo Maia e constantemente afetada por inundações provocadas pelas chuvas.
Para além disso, contudo, a intenção é transformar o complexo em um “Poupatempo Ambiental”, já que, na mesma área onde a administração pretende viabilizar os centros para animais, funcionam a Polícia Ambiental, a Cetesb, a Codasp e a Apta. “Todos esses órgãos funcionarão no mesmo lugar. O máximo que o munícipe precisará fazer é a atravessar a rua. Será um ganho muito grande”, avalia Clodoaldo Gazzetta.
R$ 3 milhões ao ano
“A área merece ser transferida para a cidade, que saberá cuidar dela muito melhor do que o Estado, cuja administração central está mais distante”, avalia Ricardo Salles sobre a cessão do Horto Florestal à administração municipal.
O parque integrava o “pacote” de 34 unidades que a gestão paulista pretende vender ou conceder à gestão da iniciativa privada, a fim de reduzir despesas, que em 2016 ultrapassaram os R$ 58 milhões.
Salles, diz que, em média, a gestão do parque custa R$ 250 mil ao mês, ou seja, R$ 3 milhões ao ano. “São gastos com manutenção, vigilância, segurança, portaria”, exemplifica.
O prefeito Clodoaldo Gazzetta acredita, porém, que o valor seja reduzido sob a gestão do município do Horto, apesar das expectativas de contratação de pessoal para a requalificação do Horto Florestal.
“Acredito que neste custo apresentado pelo secretário esteja toda a estrutura do Instituto Florestal, que sairá de lá. Também não será nada do dia para a noite”, adverte, embora a coordenaria de Comunicação do governo tenha informado de que o processo de cessão deva ser concluído nos próximos 15 dias.
Vereadores pedem parque na Lagoa da Quinta e mudança no Vitória
Markinho de Souza e Fábio Manfrinato, ambos do PP de Bauru, pediram o apoio para o secretário Ricardo Salles, do mesmo partido, para viabilizar obras no Parque Vitória Régia e na Lagoa da Quinta da Bela Olinda, onde ocorrem afogamentos constantes.
“Nesse caso, o objetivo primeiro é dar fim às mortes naquele lugar. Existe um projeto lindo de um parque lá, mas a ideia é tentar, junto ao Estado, ao menos a dragagem do lago”, pontuou Markinho.
Segundo ele, o secretário levará a proposta ao Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE). Para o Vitória, Manfrinato mostrou projeto que contempla mobilidade, inclusive com a construção de rotas acessíveis e banheiros adequados, a instalação de câmeras de videomonitoramento, arborização e melhorias na iluminação. “Há também a possibilidade de desassorear aquele espelho d’água, para pensarmos, inclusive, na possibilidade de que haja peixes por lá”, explicou o parlamentar.
Atenção: onças nas pistas!
O comandante da Polícia Ambiental no Estado, Alberto Malfi Sardilli, apontou a preocupação com casos de caçadores e a elevada mortandade de animais atropelados em rodovias da região. “Infelizmente, esta região ainda apresenta ocorrências com caçadores. Há muita apreensão de armamento. Muitas vezes nós não prendemos o caçador, mas localizamos muito armamento e estrutura para a caça. Encontramos carne de caça estocada. E também estamos muito preocupados com os atropelamentos de animais. Nos últimos 8 meses foram nove onças atropeladas em rodovias da região e em um raio de 20 quilômetros”, abordou.
Para combater essa questão, Sardilli falou do projeto discutido com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de centro especializado nesse serviço. “Nós discutimos com o secretário Ricardo Salles a necessidade de criação de um Centro Regional para dar atendimento, recebimento e destinação correto de animais feridos, selvagem ou não. A concentração regionalizada resolve a demanda de serviços. Porque o animal tem de passar por veterinário, biológico e receber o tratamento adequado. O Estado está discutindo esse projeto aqui em Bauru”, conta.