Brasília - Caso confirme o favoritismo à reeleição para presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) terá pela frente o desafio de aprovar reformas do governo Temer, sobretudo a da Previdência, e administrar eventual crise com novas delações da Lava Jato envolvendo deputados.
Maia chega com força para vencer na quinta (2) os outros dois candidatos na disputa, Jovair Arantes (PTB-GO) e André Figueiredo (PDT-CE).
Foi se equilibrando no atendimento de demandas do Planalto e de parlamentares -inclusive os de oposição- que Maia se cacifou.
Acelerou projetos de interesse do governo, entre eles a PEC do teto de gastos, e costurou acordos para textos de interesse dos próprios deputados, como o que desconfigurou as medidas anticorrupção.
Sua candidatura não sofreu abalos nem com a citação de seu nome na delação da Odebrecht, em que é apelidado de "Botafogo" e acusado de ter recebido R$ 600 mil, tampouco com as dúvidas jurídicas sobre a legalidade de sua reeleição.
A semana da eleição começa sob a incógnita sobre se a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, pautará as ações que questionam sua candidatura.
A Constituição veda a reeleição do presidente, mas Maia alega que a regra não se aplica a quem se elegeu para um mandato temporário, como o caso dele, que assumiu em julho após a renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
APOIOS
O favoritismo de Maia também é atribuído ao Planalto. No comando da Câmara, ganhou a simpatia e a confiança do presidente Michel Temer. Pôde negociar a liderança do governo com o PP e livrou-se de ter de selar um acordo com o PSDB pela presidência da Casa após Temer oferecer a Secretaria de Governo ao líder tucano Antonio Imbassahy (BA), um movimento que deve ser ratificado após a eleição.
Evitando manifestações, Maia limita-se a relembrar o que já havia dito em discurso. "Dizem que não sou simpático, que não sorrio, mas ninguém diz que não cumpro acordos", afirmou.
A simpatia realmente nunca foi o forte de Maia nos bastidores, mas, na presidência, até os mais críticos dizem que ele teve o mérito de pacificar uma Casa com feridas políticas após a queda de Eduardo Cunha, que renunciou e foi cassado pelos pares, e hoje está preso pela Lava Jato,.
O petista, porém, faz uma ressalva: "Mas ele é o líder do governo na prática. Não é um presidente que tem a independência da Casa como seu pressuposto primeiro".
Para aumentar o poder de barganha, o PT, segunda maior bancada, com 57 deputados, até cogita apresentar uma candidatura própria em cima da hora. Maia rachou o "centrão", grupo de partidos governistas que havia sido criado em torno de Eduardo Cunha.
Atraiu partidos como PP, PR e PSD, este último o partido de Rogério Rosso (DF), que suspendeu sua candidatura alegando esperar uma resposta do STF às ações contra a candidatura de Maia. "Dificilmente um candidato à reeleição de cargo público no Brasil perde. Os motivos são óbvios", diz Rosso.
O principal rival de Maia na disputa é Jovair. Ele tem considerável apoio de deputados do "centrão" e trabalha para levar a disputa ao segundo turno na aposta de que, assim, terá chances de impedir a reeleição do deputado do DEM.