| Anissa Thompson |
| Voltas às aulas é momento de fazer novas amigos e muitas descobertas |
"Meu amigo não está mais na minha classe". "A professora me mudou de lugar". "Minha turma não é mais a mesma". Queixas como essas são comuns entre as crianças, especialmente no começo de cada ano letivo.
Mas por que será que as escolas misturam os grupos, separam amigos ou, por vezes, colocam alunos que já brigaram em uma mesma equipe para fazer trabalhos? São várias as respostas possíveis para essa pergunta: busca de uma maior integração entre as crianças, tentativa de resolver conflitos e de obter um melhor rendimento escolar.
Não existe uma receita pronta que diga o que é certo e o que é errado na formação de turmas ou definição de grupos de trabalho. Cada escola tem os seus métodos e os pais podem - e devem - procurar o colégio para entender esses critérios e com isso ajudar os filhos a superar eventuais problemas que surjam por conta das mudanças. Veja alguns motivos que levam à separação de turmas ou de amigos na escola.
"Misturar" as turmas para maior integração
Pode parecer contraditório, mas às vezes é preciso separar para conseguir maior união. Em escolas com várias classes do mesmo ano, a estratégia de "misturar" os alunos formando novas turmas é uma maneira de fazer com que todos se conheçam e de tentar diminuir os problemas causados pelas "panelinhas".
"No sexto ano, procuramos formar as turmas agrupando alunos que já estudavam juntos em outras escolas, para que eles se sintam melhor ambientados no novo colégio. Mas a partir do sétimo ano misturamos os alunos com o objetivo de criar grupos mais homogêneos e para que todos se conheçam melhor", explica Onofre Rosa, coordenador pedagógico do Colégio Bandeirantes, de São Paulo, que tem seis turmas em cada ano a partir do Ensino Fundamental 2.
Na formação das novas turmas são levadas em consideração também as notas dos alunos. "Cada sala terá tanto alunos que passaram com notas máximas quanto aqueles que passaram com notas mínimas. Isso para não fazer diferenciação entre sala mais forte ou sala mais fraca", diz Onofre.
Separar para conseguir maior rendimento escolar
Amigos, amigos, estudos à parte. Nem sempre estar com os amigos na hora de aprender é o melhor para obter um bom rendimento. Às vezes basta separar amigos na hora de fazer um trabalho para conseguir um melhor comprometimento dos alunos. "Em algumas ocasiões, os professores permitem que os alunos escolham livremente suas duplas ou grupos de trabalho. Em outras situações, eles determinam essa configuração para garantir maior eficácia na realização da atividade, pois nem sempre bons amigos trabalham produtivamente", diz Ana Cláudia Smaira, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental 1 do Colégio Santa Cruz, em São Paulo.
Mas há situações em que o melhor é mudar turmas inteiras para conseguir um melhor rendimento. É o que faz o Colégio Bandeirantes com os alunos do Ensino Médio. "Nessa fase os alunos já têm personalidade mais definida e mais maturidade. Por isso montamos turmas por desempenho acadêmico. As salas com menor rendimento têm menos alunos para que os professores possam acompanhá-los mais de perto. Já as salas de melhor rendimento ficam com maior número de alunos", diz Onofre Rosa, coordenador pedagógico do Colégio Bandeirantes.
Separar para unir meninos e meninas
Há uma fase, em especial entre alunos do Ensino Fundamental 1 e 2, em que meninos e meninas não querem saber muito uns dos outros. Para exercitar o convívio entre os "clubes" de luluzinhas e bolinhas, uma alternativa é fazer com que estejam juntos na hora de fazer trabalhos em duplas ou em grupo. E isso muitas vezes requer mais uma vez separar melhores amigos. "É importante diversificar os arranjos promovendo a experiência da troca com diferentes pares e buscando uma possível homogeneidade em termos de aproveitamento dos diversos grupos. Nessas situações também é importante assegurar que haja equipes mistas, com meninos e meninas juntos", diz Sônia Barretto.
Mudar de lugar para conseguir mais atenção
Na sala de aula, há muitos fatores que podem dispersar a atenção dos alunos. Alguns estudantes têm menos disciplina ou facilidade de se concentrar. Outros têm condições físicas que demandam que estejam mais perto dos professores, como problemas de visão, audição ou estatura. Por isso os educadores, algumas vezes, mudam os alunos de carteira: para ficar mais perto daqueles que demandam mais cuidados por parte dos professores, conforme pontuam a diretora Sônia Barretto e a coordenadora pedagógica Ana Cláudia Smaira.
No Colégio Bandeirantes, os alunos podem entrar no site da escola e visualizar o mapa da classe para escolher em que carteira querem ficar. "No início do ano, é divulgado um mapa da sala e cada lugar já sai marcado com o nome do aluno. Ele então será responsável pela manutenção e ordem de sua carteira. Mas se o professor perceber que não é bom que determinado aluno fique naquele lugar, ele tem autonomia para fazer mudanças. Nesses casos explicamos aos pais o porquê da alteração", diz Onofre Rosa, coordenador pedagógico.
Separar amigos e unir desafetos para resolver conflitos
Pode parecer contraditório, mas às vezes é preciso separar para conseguir maior união. Em escolas com várias classes do mesmo ano, a estratégia de "misturar" os alunos formando novas turmas é uma maneira de fazer com que todos se conheçam e de tentar diminuir os problemas causados pelas "panelinhas".
"No sexto ano, procuramos formar as turmas agrupando alunos que já estudavam juntos em outras escolas, para que eles se sintam melhor ambientados no novo colégio. Mas a partir do sétimo ano misturamos os alunos com o objetivo de criar grupos mais homogêneos e para que todos se conheçam melhor", explica Onofre Rosa, coordenador pedagógico do Colégio Bandeirantes, de São Paulo, que tem seis turmas em cada ano a partir do Ensino Fundamental 2.
Na formação das novas turmas são levadas em consideração também as notas dos alunos. "Cada sala terá tanto alunos que passaram com notas máximas quanto aqueles que passaram com notas mínimas. Isso para não fazer diferenciação entre sala mais forte ou sala mais fraca", diz Onofre.