Há uma semana, a assistente administrativo Suellen Maia, 26 anos, lançou um abaixo-assinado na internet para pedir que o governo do estado volte a fornecer os medicamentos necessários aos portadores de lúpus. Segundo a jovem, ela não recebe os remédios há um ano. Especialistas afirmam que, sem o tratamento indicado, as complicações da doença autoimune podem levar os pacientes à morte.
"O lúpus cria anticorpos contra o próprio organismo do paciente. A doença pode comprometer as articulações, os rins, os pulmões ou o coração.
Dependendo do órgão envolvido, pode ter menor ou maior gravidade. Tem gente que não pode ficar um só dia sem o remédio", explicou o clínico geral Antônio José Carneiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo o reumatologista Charlles Heldan Castro, da Universidade Federal de São Paulo, o lúpus evolui em surtos. Nos casos mais graves, a mortalidade chega a 50%.
Sem cura, doença fica 'adormecida'
De acordo com o reumatologista, o objetivo do tratamento é fazer o lúpus entrar em remissão, estágio em que alguns pacientes permanecem pelo resto da vida. A doença não tem cura. Os medicamentos indicados variam de caso para caso.
"Os sintomas não são os mesmos para todos. Podem aparecer lesões ou inflamações nos rins. Nesses casos, o importante é procurar um médico. Ela vai julgar as condições do paciente a partir dos exames físico e de sangue", explicou.
Segundo o especialista, o fator genético não é a única causa da doença. Mulheres, por exemplo, têm muito mais chance de ter lúpus. A exposição ao sol também favorece e piora a doença.
A Superintendência de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, da Secretaria estadual de Saúde, informou que aguarda a entrega dos medicamentos pelos fornecedores. Até o fechamento desta edição, o abaixo-assinado de Suellen Maia contava com mais de 75 mil assinaturas.
'Sem o remédio, vou regredir e posso morrer'
Há uma semana, a assistente administrativo Suellen Maia, 26 anos, lançou um abaixo-assinado na internet para pedir que o governo do estado volte a fornecer os medicamentos necessários aos portadores de lúpus. Segundo a jovem, ela não recebe os remédios há um ano. Especialistas afirmam que, sem o tratamento indicado, as complicações da doença autoimune podem levar os pacientes à morte.
"O lúpus cria anticorpos contra o próprio organismo do paciente. A doença pode comprometer as articulações, os rins, os pulmões ou o coração.
Dependendo do órgão envolvido, pode ter menor ou maior gravidade. Tem gente que não pode ficar um só dia sem o remédio", explicou o clínico geral Antônio José Carneiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo o reumatologista Charlles Heldan Castro, da Universidade Federal de São Paulo, o lúpus evolui em surtos. Nos casos mais graves, a mortalidade chega a 50%.
ENTENDA O LÚPUS
MULHERES JOVENS
A maioria das pessoas que sofre da doença são jovens e mulheres, diz a reumatologista e diretora do Centro Multidisciplinar Fluminense, Selma Merenlenders. "Existe relação (da doença) com o hormônio estrogênio", diz a médica. São 9 mulheres atingidas para cada homem.
IDOSOS
A doença, porém, também pode se manifestar em idosos, mas com tendência a evoluir mais lentamente e com menos gravidade, explica Selma.
PREDISPOSIÇÃO
Existe predisposição genética, mas ações externas podem desencadeá-la, como infecções e remédios.
SINTOMAS
Os sintomas podem ser ganho de peso, indisposição, falta de apetite, febre passageira. O lúpus pode atacar qualquer órgão do corpo, causando inflamações.
As mais comuns são na pele e rins, mas pode atingir pulmões, coração, sistema nervoso.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é clínico e com exames laboratoriais. Não há cura, mas o paciente pode ter vida normal, com remédios e acompanhamento médico por tempo indeterminado.
Depressão é sintoma de lúpus
Ataques de pânico, depressão e ansiedade. Os sintomas, que a atriz e cantora Selena Gomez, 24 anos, admitiu sofrer, em entrevista à revista "People", no ano passado, fizeram com que ela desse uma pausa na carreira.
As alterações psicológicas podem ser decorrentes do lúpus, doença autoimune crônica e rara. O caso, porém, não é exclusividade de Selena. Médicos explicam que efeitos como esses são comuns em pacientes com o problema.
"Os "autoanticorpos" produzidos pela doença podem atingir o sistema nervoso central, causando essas alterações, e, em casos mais graves, convulsões e psicose", explica Luiz Carlos Latorre, da Comissão de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
O médico explica, também, que depressão e ansiedade podem acontecer em decorrência das consequências que a doença causa no corpo. "Pode haver alterações na pele e, pelo uso de remédios, mudar a estética da pessoa, fazer com que ela ganhe peso. Toda doença crônica, por causar restrições na vida do paciente, pode causar impacto na vida emocional."
O psiquiatra Rodrigo Pessanha diz que os próprios medicamentos usados para tratar o lúpus, como imunossupressores e corticoides, podem causar efeitos depressivos. "Para o tratamento, é preciso escolher um antidepressivo que não entre em conflito com os medicamentos que a pessoa usa. Além disso, é recomendado fazer uma terapia cognitiva comportamental", diz. Ele ressalta que apenas um médico pode prescrever qualquer medicamento.