08 de julho de 2026
Geral

Bauru tem 9 km de ruas intransitáveis

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Cratera na quadra 2 da rua Maurícia Pereira Lima, Pousada 2: motorista fica sem saber por onde seguir

Parte da população de Bauru segue sofrendo com os estragos provocados pelas fortes chuvas deste mês. Exemplo disso é precariedade das vias públicas, principalmente as que ainda não foram pavimentadas. Algumas, na verdade, nem poderiam ser chamadas de vias. São um amontoado de buracos e entulhos.

Ao todo, são nove quilômetros de ruas intransitáveis na cidade, o que corresponde a 90 quarteirões, conforme informou o diretor de departamento da Secretaria Municipal de Obras, Etelvino Zacarias Martins. Para ter noção da dimensão, se as ruas estivessem em linha reta, seria equivalente à extensão de duas avenidas Castelo Branco.

"A maior parte se concentra nos bairros Pousada da Esperança 1 e 2 e no Santa Edwirges. Tem, ainda, no Jardim Tangarás e Parque Viaduto. São vias de terra que ficaram comprometidas por causa das chuvas, que também atrapalharam o nosso serviço. Agora que o tempo deu uma melhorada, estamos iniciando os reparos", garante Etelvino.

O problema dos buracos em ruas e avenidas, aliás, se estende por toda a cidade e a prefeitura terá que se empenhar bastante para solucioná-lo. Conforme o JC noticiou na semana passada, somente 10% da demanda de erosões do município nos últimos dias foi concluída. No Tangarás, uma imensa cratera gerou muitas reclamações dos moradores.

As ruas intransitáveis afetaram até a coleta de lixo, informou a Emdurb. Para garantir o serviço, em alguns pontos, os coletores percorrem grandes distâncias puxando o lixo até o caminhão, que precisa permanecer parado muito longe (leia mais abaixo).

NÃO É DE HOJE...

Há 1 ano, o Jornal da Cidade já havia apontado o drama de quem vive das ruas intransitáveis em Bauru. Na ocasião, era mais preocupante as condições do bairro Pousada da Esperança 2.

Lá, uma cratera com aproximadamente 200 metros de extensão, dois de profundidade e com largura que variava entre dois a cinco metros conforme o trecho, gerou muitos transtornos aos moradores das quadras 1 e 2 da rua Maurícia Pereira Lima.

Ontem, a reportagem retornou ao mesmo ponto. O buraco, felizmente, não existe mais. Porém, ainda há trechos sem condições alguma de tráfego, como no quarteirão 1, onde vive o eletricista Daniel Mendonça, 43 anos.

"Tiveram dias que não dava nem para sair com o carro da garagem. Me sinto preso dentro da minha própria casa. Ali na esquina, os carros não passam. Tem que ficar manobrando e ainda sim é arriscado ficar preso no buraco", critica.

Além disso, o morador conta que a tubulação entupiu e a água da chuva invadiu sua residência. "Inundou tudo. Precisei cortar parte do tubo para a água escoar. Aqui está abandonado", lamenta Daniel.

A reportagem visitou ainda ontem, na quadra 1 da mesma rua, o supervisor de matéria prima Marcos Roberto Matias, 41 anos, que, no ano passado, quase teve sua casa "engolida" pela cratera formada em decorrência de um vazamento de água subterrâneo.

Ele relata que, de lá para cá, o problema do imenso buraco não voltou a "assombrá-lo" porque a prefeitura refez a tubulação do local, porém, ele alega que o serviço de instalação das bocas de lobo não foi concluído.

"Fizeram o bueiro, mas não fixaram proteção alguma. Esses dias, minha filha de 1 ano quase caiu ali dentro. Depois disso, improvisei uma proteção colocando tábuas, para evitar acidentes", frisa Marcos.

Etelvino Zacarias, da Obras, afirmou que, ainda ontem, mandaria equipe para checar a situação da tubulação e das bocas de lobo nos locais citados.

Coleta de lixo prejudicada em 16 bairros

Por meio da assessoria de comunicação, a Emdurb informa que tem encontrado dificuldade na realização da coleta de lixo devido ao estado das ruas de terra dos bairros onde os caminhões não conseguem circular. "Em alguns casos, os coletores puxam o lixo até o veículo. Em outras situações, o caminhão tem de permanecer parado muito longe, cerca de 300 metros de onde está o lixo, o que dificulta a operação", aponta o órgão.

Os bairros afetados são: parte do Jd. Solange, parte da Vila Serrão, Parte do Jd. Vitória, Pq. das Nações, Pq. Viaduto, Santa Cândida, Leão 13, Quinta da Bela Olinda, Santa Terezinha, Jd. Ferraz, Jd. Ouro Verde, Jd. Prudência, Pq. Jaraguá, Tangarás, Águas Virtuosas e Pq. Manchester.