| Gabriel Cabreira/Divulgação |
| Raios: assustadores e com frequência maior do que de costume no primeiro mês do novo ano |
Com precipitação acumulada de 462,0 milímetros, janeiro de 2017 foi um dos mais chuvosos dos últimos 17 anos em Bauru – só perdeu para janeiro de 2011, quando o índice pluviométrico ficou em 496,1. Contudo, com as tempestades, a cidade bateu outra preocupante marca: o da incidência de raios, ao contabilizar 1.700 descargas elétricas.
Para se ter uma ideia, o número é mais que o dobro registrado no mesmo período do ano passado, quando as ocorrências com raios somaram 750, segundo dados levantados pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a pedido da reportagem. Apesar do índice elevado no mês passado, não houve nenhuma morte por raio em Bauru, como já aconteceu em outros anos.
Porém, somente em janeiro, uma empresa de segurança eletrônica atendeu mais de 50 chamados por estragos decorrentes das descargas elétricas. Só em um condomínio da zona Sul, o prejuízo estimado foi de R$ 15 mil (elevador e portões eletrônicos queimaram, etc).
De acordo com o meteorologista do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) da Unesp José Carlos Figueiredo, o aumento acentuado do número de raios em Bauru é decorrente das chuvas extremas do mês passado, que fugiram à normalidade.
“Registramos muitas tempestades. 2016 e 2015, ao contrário de agora, foram anos de seca”, compara. Ele atribui o aumento de chuvas nesse ano ao fenômeno chamado Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (Vcan), que exerce grande influência na precipitação de diferentes regiões do Brasil.
“Nos últimos dois anos, ele apareceu em pouca quantidade. Já neste ano, o sistema está bem atuante no País”, explica. Figueiredo aponta que o Vórtices Ciclônicos tem característica de não se dissipar rapidamente. “Tanto é que, só no Estado de São Paulo, o fenômeno segue atuando há pelo menos 19 dias”, acrescenta o meteorologista.
Segundo estudo publicado pelo Elat/Inpe, os Vcans são definidos como sistemas fechados de baixa pressão, de escala sinótica, que se formam na alta troposfera. “Com o auxilio de imagens de satélite meteorológico, observa-se que o fenômeno, em determinadas situações, causa grande precipitação no Sul e Sudeste do Brasil”, frisa.
‘SALTARAM’
A alta incidência de raios em janeiro gerou estragos e prejuízos a muitos bauruenses. Gestor de uma empresa de segurança eletrônica, Eric Alexandre Lima calcula que os atendimentos saltaram no mês passado.
“Foram mais de 50 ocorrências, de portões de garagens que queimaram, câmeras de circuito interno de residências, empresas e condomínios. O número de atentemos corresponde a mais que o dobro comparado com janeiro de 2016”, observa.
Em outro estabelecimento do mesmo ramo, a reportagem também constatou aumento nos atendimentos. “Esse ano, de fato, a incidência foi bem maior do que em anos anteriores”, frisa Luís Carlos Fiorelli Garcia, do setor comercial da empresa.