10 de julho de 2026
Cultura

Bailarino bauruense ganha bolsa de estudos e vai pra Vancouver

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Aline Mendes
Por volta do dia 20 de março, ele viaja e ingressa no curso

Dos olhos brilhando aos movimentos precisos, é fácil perceber o amor e o talento de Marcos Arantes, de 19 anos, pela dança.

Bailarino da Companhia Estável de Bauru há dois anos, ele participou em janeiro como bolsista do curso internacional de férias da Cia. Faces Ocultas, em Salto (SP). Lá, ganhou uma bolsa de estudos para a conceituada escola Ballet Bloch Canadá, em Vancouver. Por volta do dia 20 de março, ele viaja e ingressa no curso, que tem duração entre três e quatro meses.

“Eu não tinha total convicção de que ganharia, nem desacreditava. Tinha muita gente boa. Foi um presente”, avalia Marcos.

Sivaldo Carmargo, professor e diretor da Cia. Estável de Bauru, reforça que a avaliação é criteriosa. “Os professores observam a técnica e o comportamento profissional do bailarino. É uma responsabilidade enviar alguém para uma escola internacional e há uma postura própria do balé clássico”, comenta.

De acordo com ele, que atuou como professor deste curso mês passado, a companhia sempre participa, mas, desta vez, só dois bailarinos tiveram a oportunidade de representar o grupo bauruense. E Guilherme Ventura também foi contemplado com uma bolsa de estudos, mas para um curso no Brasil. Leia mais nesta página.

“Estamos felizes por colher os frutos de um dos objetivos da Companhia, que é formar bailarinos profissionais, além de oferecer espetáculos à comunidade”, completa Sivaldo.

DA DANÇA URBANA

Marcos começou na Divisão de Ensino às Artes, da Secretaria Municipal de Cultura, com o street dance, ligado à cultura hip hop. “Desde os 12 anos, eu já dançava. Lá pelos 14, o balé me chamou a atenção pelo trabalho técnico. Cada passo tem suas minúcias, a forma correta de começar e terminar, deve ser perfeito. É preciso muito trabalho para executar com qualidade”, partilha o bailarino.

Nascido em Bauru, ele tem a responsabilidade de viver aqui por conta própria, pois a mãe, o padrasto e três irmãos vivem num acampamento da Frente Nacional de Luta, em área rural na região. “Há dois meses eu não via a minha família e todos estão muito felizes. O incentivo deles, os abraços dos amigos e os aplausos são importantes. O que é meu é nosso, pois a gente não alcança nada sozinho, nem sem fé. Se não fosse também o Sivaldo, a Cia. Estável e o projeto mantido pela prefeitura, eu não estaria aqui. Estou feliz e muito grato”.

Marcos, que já trabalhou de florista a garçom para se manter na dança, sonha em se profissionalizar cada vez mais e chegar ao grupo de balé da cidade de São Paulo. “É importante ter uma meta, mas não quero chegar lá e estagnar. Até penso em fazer faculdade de dança, só que isso não garante que eu seja um grande bailarino. O esforço e o talento contam mais”.

Aline Mendes
Bailarino Guilherme Ventura, 21 anos; também conquistou bolsa de estudos para o Seminário Internacional de Brasília

Guilherme Ventura vai para curso internacional

Também durante o curso de férias da Cia. Faces Ocultas, em Salto, o bailarino Guilherme Ventura, 21 anos, da Cia. Estável de Bauru, foi contemplado com uma bolsa de estudos para o Seminário Internacional de Brasília, com curadoria da renomada Gisele Santoro, em julho.

“Esse curso é caro, pois reúne professores de dança de várias partes do mundo. É uma importante vitrine”, explica Sivaldo Camargo, professor e diretor da Cia. de Dança bauruense.

Guilherme deseja fazer parte de grandes companhias e, no futuro, abrir uma escola de dança que inclua quem tem menos possibilidade de acesso. “Entre as dores trazidas pela dedicação à dança o que se destaca é a intensa felicidade provocada pelo resultado final”, destaca o bailarino.