Dia 2 de fevereiro é comemorado o dia de Nossa Senhora dos Navegantes e da Conceição, sincretizadas com Iyemanjá, o Orixá mais popular do Brasil.
A Deusa africana aqui passou por um fenômeno semelhante ao que passou Jesus. Crucificação? Não... Adequação aos padrões católicos/europeus de personificação. Ela é africana, mas ganhou longos cabelos pretos escorridos pelos ombros, olhos azuis, silhueta violão, um vestidinho puritano e pele alva como algodão.
Foi aqui também que essa ligação com o mar se tornou mais estreita. Iyemanja é rio, como sua saudação diz, é a “Mãe d’água” (Odô = rio; iyá = mãe). Os oceanos são domínio de outra deidade do Candomblé, esta, sim, guarda parentesco com Iyemanjá.
Agora, pare e pense: quanto tempo nossos ancestrais ficavam naqueles navios até desembarcar aqui, vindos da África?
E mesmo depois de chegarem, o mar sempre guardou uma relação íntima com as comunidades ao seu entorno. Dali vinha o alimento. Ali se ganhava a vida. É fácil perceber porque o mar tornou-se objeto mais frequente de devoção.
Dia de festa, na praia, no mar ou no rio, não importa. A minha é negra, mas também respeito à branca.
Odô Iyá Iyemanjá!