08 de julho de 2026
Geral

Urgência: Samu vai regular atendimentos em Bauru

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Priscila Medeiros
Doroti Vieira, Gazzetta e José Eduardo Fogolin: compromisso

A Prefeitura de Bauru vai assumir, através do Samu, a regulação do acesso de pacientes de urgência e emergência ao atendimento nos dois hospitais de referência da cidade (Base e Estadual). O Termo de Compromisso foi assinado no início da noite dessa sexta-feira (3), após reunião no Palácio das Cerejeiras, e engloba três situações: infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e traumas (como acidentes, tiro e esfaqueamentos).

Atualmente, a regulação dessas vagas é feita pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS), órgão ligado ao governo estadual, e que funciona em São Paulo.

A intenção de regionalizar parte da premissa de que, se a regulação for realizada em Bauru e com encaminhamento direto aos hospitais, o atendimento dos urgentes será mais ágil e eficiente.

O Termo de Compromisso foi assinado pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), com o secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, e a diretora do Departamento Regional de Saúde (DRS-6), Doroti Vieira. Nos próximos 60 dias, vão acontecer reuniões para alinhar o protocolo de atendimento, e a partir de abril, a medida entra em vigor.

Redução de risco

Com a regulação por meio do Samu, pacientes vítima de infarto, AVC ou trauma não precisarão mais aguardar em macas no Pronto-Socorro Central (PSC) ou nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Perdemos muitas vidas nos últimos anos por causa disso. Nosso maior objetivo é salvar vidas e, portanto é fundamental agilizar nestes casos”, cita Gazzetta.

O secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin, salienta que a regulação não é necessariamente de vagas, mas do acesso. “É do atendimento da porta de urgência. Hoje o paciente está no PSC ou UPA por conta de infarto, AVC e trauma. A partir de agora, o Samu vai regular. Diagnosticou que é uma das três situações, vai direto para o hospital. Agora vamos discutir o protocolo. O paciente terá o acolhimento de urgência na sala vermelha do hospital, onde estabiliza, prepara o centro cirúrgico, e só depois é que terá a questão da internação”, detalha.

Já a diretora do DRS-6, Doroti Vieira, pontua que há uma portaria do Ministério da Saúde que permite essa adequação.

“O plano de ação foi aprovado pelo Ministério da Saúde, é um trabalho de anos. Eles pontuaram algumas necessidades, fizemos o que foi pedido, e depois qualificaram. Agora precisamos definir os protocolos. Vai pular essa etapa do Pronto-Socorro”, comenta.

Região

O Samu de Bauru atende outros 17 municípios, que serão beneficiados. “Se um paciente tem um infarto, seja em Bauru, Agudos ou qualquer outra cidade nessa área de abrangência, o Samu leva para o PSC.

A partir de agora, com o diagnóstico, ele irá direto para o atendimento de urgência no hospital. Grande parte da reclamação que temos é para esse tipo de vaga”, argumenta Fogolin.

Reforma do PSC

O novo procedimento, que começa a valer em meados de abril, faz parte também do projeto da prefeitura de reorganizar o Pronto-Socorro Central (PSC). A intenção inicial do governo municipal era demolir o prédio do PSC. Reportagem do JC em janeiro, ouvindo médicos e especialistas, mostrou que a medida por ser arriscada, justamente por conta do atendimento dos casos de urgência.

A Secretaria de Saúde ainda avalia se vai de fato demolir o imóvel, ou se adotará outras soluções. “Essa nova medida para atendimento de urgência e emergência vai neste sentido, pois acontecerá direto nos hospitais de referência, que são o Base e o Estadual, e não em alguma UPA. Depois, em um segundo momento, vamos discutir a descentralização dos outros atendimentos, como dos casos clínicos, que podem ser absorvidos pelas UPAs, para poder reformar o PS”, conclui Fogolin.

Outro sistema: prisional terá audiência dia 16

Em 16 de fevereiro (quinta-feira), às 14h, a Câmara Municipal realiza audiência pública para discutir a situação do sistema prisional em Bauru. A rebelião no CPP 3 (antigo IPA), na manhã de 24 de janeiro, expôs diversos problemas das penitenciárias na cidade, que tiveram aumento significativo de reeducandos no regime semiaberto nos últimos anos.

Todos os vereadores estão assinando o pedido de audiência, que será lido na primeira sessão do ano, nesta segunda-feira. Serão convocação para audiência membros da Sebes, Sear e Emdurb – os dois últimos porque são os setores da prefeitura que mais utilizam mão de obra de reeducandos do regime semiaberto.

Serão convidados ao debate representantes da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), Secretaria de Segurança Pública (SSP), dirigentes dos CPPs 1, 2 e 3 de Bauru, o comando local da Polícia Militar, a Promotoria de Execuções Criminais, o Juízo de Execuções Criminais e o Sindcop.