09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

E assim avança o golpe

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

A despeito do fracasso das medidas de austeridade em todos os países que as aplicaram, o atual desgoverno impôs o congelamento do salário mínimo e dos gastos sociais por 20 anos. A rigor, significa redução, já que a demanda aumenta ano a ano.


Como se não bastasse, a tentativa de reforma da Previdência, na verdade, tem como escopo principal a privatização. Tentou-se aumentar a idade para aposentadoria para 70 anos, mas a forte reação fez o governo recuou para 65 anos.


De acordo com o atual regime, pode-se aposentar com 60 anos de idade, após 15 anos de contribuição. A proposta de Temer eleva para 65 anos de idade, para mulheres e homens, com 25 anos de contribuição, com direito à aposentadoria equivalente a 79% do salário. Para se aposentar com o salário integral, será necessário contribuir durante 49 anos.


Parece que Temer não conhece o país onde vive. Estamos num patamar de bem estar social muito abaixo da maioria dos países que aplicaram as medidas de austeridade e se arrependeram. A desigualdade salarial e a imposição do trabalho doméstico e de cuidado, entre homens e mulheres, é ainda muito alta no Brasil. Com a informalidade, a rotatividade e o desemprego acelerando, dificilmente se conseguiria atender as novas exigências. Quem desempenha trabalho penoso (inclusive com exposição a riscos de enfermidades laborais incapacitantes) terá dupla penalização. Tratar desiguais igualmente é injusto.


Temer, ancorado pela mídia golpista, tentou vender a reforma em nome de um suposto déficit que não condiz com a realidade. A Previdência Social, no Brasil, está inscrita na Seguridade Social que não é deficitária, pelo contrário. Empresas que usufruíram de desonerações sem contribuir com nenhuma contrapartida, além da desvinculação de receitas da União (DRU) desviam recursos da Seguridade Social. Em 2016, as desonerações de 271 bilhões de reais retiraram da Previdência mais de 146 bilhões de reais, informa a economista Denise Gentil, Professora  da UFRJ.


Para equilibrar as contas da Previdência, basta eliminar desonerações, desvios pela DRU e cobrar sonegadores da Previdência. Com certeza, teremos uma Previdência com superávit confortável.


Enfim, o golpe é contra trabalhadoras/es para lhes retirar direitos e engordar banqueiros. O que se pretende com a reforma, não é equilibrar as contas, mas privatizar. Dificultando a aposentaria, pelas novas medidas draconianas, privilegia-se o Fundos de Pensão, quase sempre pertencentes aos bancos. Só com o anúncio da Reforma da Previdência, em 2016, esses fundos cresceram mais de 20% . Acorda, povo, o golpe é contra você, e avança a galope.