10 de julho de 2026
Geral

Mato alto: caso de saúde pública há 10 anos e ainda sem final feliz

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Eduardo Colazelli Guerreiro/Divulgação
Quadra 6 da Casimiro de Abreu (Bela Vista), e acima dela, quadra 1 da rua Brasil (Terra Branca)

Eles não apenas deixam a cidade mais feia e com aparência de descuido. Terrenos com mato alto também são um sério problema de saúde pública e, justamente por isso, a fiscalização está sob os cuidados do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de Bauru.

São sempre mais de 300 queixas por mês. Para se ter uma ideia: somente no primeiro mês do ano, o órgão já recebeu 317 reclamações (média de dez por dia). O número se aproxima do total de 318 denúncias em janeiro de 2014. Em janeiro de 2016 foi ainda pior: 538 reclamações (41% superior).

Diretor do DSC, Mário Ramos relata que a fiscalização sobre terrenos mal cuidados passou a ser uma atribuição da pasta de Saúde há cerca de dez anos devido ao entendimento sobre os riscos envolvidos para a população.

"Terrenos com mato alto são um local propício para a proliferação de animais peçonhentos, ratos e do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela", frisa.

Ramos salienta que a falta de manutenção destas áreas contribui para que elas se tornem depósitos de lixo, lembrando que, quando os terrenos estão bem cuidados, é mais raro a população descartar entulho, materiais que podem servir de criadouro ou esconderijo para animais perigosos, além de restos de alimento.

"É um cenário que favorece a proliferação de vetores que transmitem doenças", reforça, lembrando que a conservação é responsabilidade exclusiva dos proprietários.

O diretor do DSC avalia que, embora ainda elevado, o número de reclamações sobre terrenos com mato alto no mês passado caiu em relação a janeiro de 2016 por dois principais motivos. "O primeiro é o volume de notificações que foram feitas ao longo dos últimos anos. Como, dependendo do caso, o valor pode pesar bastante no bolso, os proprietários começaram a ficar mais atentos. Eles sabem que podem não ficar impunes", observa.

As multas variam de R$ 150,00 a R$ 5,6 mil, dependendo da gravidade, da reincidência e de outros fatores como dolo e má-fé.

"Outro motivo é o fato de estamos concentrando o trabalho dos agentes em regiões com maior presença do Aedes aegypti. A orientação prestada por estes agentes contribui para que a população faça um número maior de denúncias. Se este trabalho estivesse pulverizado em toda a cidade, certamente o volume de queixas seria maior", detalha. De acordo com Ramos, a decisão estratégica foi tomada com o objetivo de reduzir, de maneira mais incisiva, os índices de infestação nas áreas mais vulneráveis de Bauru.

'QUATRO CANTOS'

Por toda a cidade, é possível encontrar terrenos em estado precário. Na quadra 6 da rua Casimiro de Abreu, no Jardim Bela Vista, um lote está, de acordo com moradores, há mais de seis meses sem receber qualquer tipo de cuidado.

Segundo o vizinho Eduardo Colazelli Guerreiro, 21 anos, funcionários da prefeitura já vistoriaram o local e a expectativa é de que o proprietário seja multado. "Já apareceu escorpião e diversos outros bichos em casa e na casa do outro vizinho. Usuários de drogas entram lá e deixam lixo no local. É perigoso para quem vive aqui".

No Jardim Terra Branca, alguns donos de terrenos na rua Brasil também devem receber multas. Denúncias: (14) 3103-8050.