09 de julho de 2026
Cultura

'Bauru Sem Tomate é MiXto' faz a festa

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Ao longo do trajeto, a população vai engrossando o bloco e entrando na folia
No traço do Fernandão Dias, o tema que estampa a camiseta do bloco e marca do desfile deste ano

“Um bloco (des)organizado, (des)temido e (des)bravador composto por tomateiras, tomateiros e tomatistas”. Assim a intérprete das marchinhas e “tomateira-mor” Tatiana Calmon, define o bloco Bauru Sem Tomate é MiXto, que, pelo 5º ano, faz a festa no Centro da cidade.

O desfile será no sábado de Carnaval, 25 de fevereiro, com saída da Praça Rui Barbosa ao meio-dia. Por cerca de duas horas, os foliões descem o Calçadão da Batista de Carvalho rumo à Praça Machado de Mello.

No trajeto, o enredo de 2017 com o tema “A Casa da Eny ainda é aqui”, que tem letra de Sílvio Selva, e marchinhas carnavalescas com o grupo Kananga do Alemão.

“A gente vai brincando com os lojistas, funcionários e a população. É muito gostoso e bem divertido. As pessoas entram na farra na hora, com ou sem fantasia”, conta a tomateira também conhecida como Tatiana Calmon ‘Karnaval’.

De acordo com ela, fazem a festa entre 200 e 300 pessoas, incluindo crianças de todas as idades, carinhosamente chamadas de “tomatinhos-cereja”. “Gostaria muito que as pessoas participassem do jeito que der. Traga pra gente sua alegria, venha somar com o bloco, que é despido de qualquer preconceito”, convida. Aliás, a novidade desse ano é a ala LGBT, contra a homofobia, chamada “Clandestinos”.

DIVERSÃO E CRÍTICA

Uma das características do Bauru Sem Tomate é MiXto é abordar temas polêmicos na cidade. “Todo enredo traz uma crítica, uma discussão política pertinente. Levamos na brincadeira, mas para gerar reflexão”, ressalta Tatiana.

“O mais marcante nesse bloco é a irreverência e a discussão de temas atuais de forma irônica e de fácil acesso; quem nos vê logo identifica de que problemas estamos falando”.

E este ano, por que “A casa na Eny ainda é aqui”? “A gente se encontra sempre, até na feira de domingo e vai conversando. Diante das mazelas que estão acontecendo, chegou à conclusão de que a cidade está uma ‘zona’. O projeto de lei que torna muitas festas clandestinas também será enfatizado”, esclarece a foliã.

A ideia do bloco surgiu entre amigos apaixonados pela folia, que desejavam reviver o Carnaval de rua de antigamente. O grupo tem cerca de 15 membros efetivos.

E, desde 2014, tem eleição de “musa” ou “muso”, escolhendo de forma coletiva entre pessoas da cidade que merecem ser homenageadas.

O primeiro foi o artista plástico Esso Maciel (2014), em seguida Maria Inês Faneco (2015), depois Sarah Fernandes (2016). Para 2017, o “muso” é o advogado Gilberto Truijo, que completa 40 anos de profissão com reconhecida atuação em causas da população menos favorecida.

Para entrar no clima, o bloco faz todo ano uma camiseta, cujo uso não é obrigatório para participar da festa. Desta vez, a ilustração é assinada pelo desenhista Fernando Dias, chargista do Jornal da Cidade.

A venda é apenas para custear o trabalho dos músicos. Quem quiser, pode adquirir uma por R$ 40,00, duas por R$ 70,00 ou três por R$ 100,00.

SERVIÇO

Desfile do bloco de rua Bauru Sem Tomate é MiXto: sábado de Carnaval, 25/02, com concentração a partir das 11h, na Praça Rui Barbosa, e saída ao meio-dia, via Calçadão da Batista de Carvalho, até a Praça Machado de Mello. Informações com Tatiana Calmon pelo telefone (14) 99132-4759.