| Douglas Reis |
| Cooperados foram até o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) do bairro Ferradura Mirim, nessa quinta (9) de manhã, para reivindicar a liberação das cestas básicas e do vale-transporte |
Cerca de 60 funcionários das três cooperativas de recicláveis instaladas em Bauru reclamam que estão há dois meses sem receber cestas básicas e vale-transporte. Nessa quinta-feira (9), parte dos cooperados esteve no Centro de Referência em Assistência Social (Cras) do Ferradura Mirim para reivindicar o benefício, disponibilizado pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes).
Entretanto, o titular da pasta, José Carlos Augusto Fernandes, ao assumir o cargo em janeiro, adotou novas medidas de gestão que incluem maior rigor e controle na seleção dos pretendentes aos auxílios municipais, conforme o JC noticiou.
Entre as mudanças, a Sebes deixou de fornecer benefícios diretamente em sua sede, o que ocorria em alguns casos de emergência. Passou, ainda, a priorizar a descentralização do atendimento por meio das sete unidades do Cras, responsáveis pelo cadastro e seleção dos assistidos.
A burocracia, por sua vez, já começa a surtir efeito e estaria “travando” a liberação das cestas e do vale-transporte dos cooperados, já que a prefeitura pretende realizar um minucioso processo de triagem para identificar quem realmente necessita de auxílio.
Isso quer dizer que os assistidos correm o risco de perder os benefícios, o que tem gerado incertezas. É o caso de Carlos Dias Campos, 59 anos, funcionário da Cooperativa dos Trabalhadores em Materiais Recicláveis (Cootramat), no Jardim Redentor.
“Sem a cesta básica, a gente fica num barco furado e sem saber nadar, pois dependemos dessa ajuda. O nosso salário na cooperativa é uma gangorra, um dilema assim. Tem meses em que as vendas são fracas”, frisa.
Coordenadora da Cooperativa Ecologicamente Correta de Materiais Recicláveis de Bauru (Coopeco), situada no Ferradura Mirim, Gisele Moretti ressalta que, até dezembro, a própria prefeitura levava as cestas até as cooperativas.
“Era solicitada a listagem de quem recebia e os beneficiários assinavam um comprovante de entrega. Na verdade, as cooperativas prestam um serviço de graça para o município, pois recebemos pouco material e o preço do lixo é muito barato. Os cooperados não conseguem se manter somente com esta renda”, critica.
Já o coordenador da Cooperativa de Bauru (Cooperbau), na Vila Dutra, Rubens Ferreira, afirma que a associação “nunca teve ajuda da prefeitura”. “Nem sequer fomos avisados sobre as novas regras”, afirma.
‘É PRECISO TER CONTROLE’
Secretário do Bem-Estar Social, José Carlos Augusto Fernandes frisa a importância da triagem para a liberação de benefícios. “É preciso ter controle do que a Sebes está fazendo. Pode ter algum aposentado ou pensionista, que já tem algum auxílio financeiro, recebendo as cestas. Hoje, mais de 11 mil pessoas em Bauru recebem bolsa-família. A prefeitura não tem suporte para atender tantos que já são assistidos por algum programa”.
Sobre a forma de entrega das cestas, ele alega que não pode levá-las até as cooperativas, porque tal inciativa configuraria “um complemento de salário aos cooperados”.
Fernandes afirma ainda que todas as cooperativas foram avisadas da obrigatoriedade de procurar as unidades do Cras para garantir o cadastro e avaliação dos pretendentes aos auxílios municipais.