10 de julho de 2026
Geral

Saúde pública adotará socorro inédito para reverter infartos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Secretário de Saúde, Fogolin, afirma que novo medicamento diminui em até 17% número de mortes por infarto em Bauru

As vítimas de infarto socorridas pelo Samu passarão a ter mais chances de sobreviver e ficar sem sequelas, com a inclusão de um novo medicamento nas ambulâncias de suporte avançado do serviço. Este é o compromisso assumido pela Secretaria Municipal de Saúde, que deve se tornar realidade dentro dos primeiros 100 dias do governo Clodoaldo Gazzetta - ou seja, na primeira quinzena de abril.

Segundo a pasta, Bauru será um dos primeiros municípios paulistas a adotar os chamados medicamentos trombolíticos para reverter infartos em pacientes atendidos pelo Samu já nos primeiros instantes do socorro. Administrados por injeções, eles têm a propriedade de dissolver coágulos e restabelecer o fluxo de sangue, diminuindo em até 17% o número de mortes pela doença.

“O que mais mata as pessoas são as doenças do aparelho circulatório e a rede de urgência é estratégica para evitar que isso aconteça”, explica o secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin.

De acordo com a pasta, na região atendida pelo Samu de Bauru, que inclui 18 municípios, 218 pessoas morreram por infarto em 2014 (dados mais recentes). “Com este medicamento, certamente iremos diminuir este índice de mortalidade”, adianta.

Inicialmente, a intenção é obter o financiamento integral dos trombolíticos por meio do Ministério da Saúde, que, em 2014, publicou portaria para possibilitar o uso do medicamento no atendimento do Samu em âmbito nacional. Fogolin conta que, na época, era coordenador-geral de Média e Alta Complexidade do ministério.

“Fui eu que fiz todo o estudo, mas o ministério acabou habilitando serviços, por conta do alto custo e dos critérios exigidos”, frisa. Cada ampola custa, em média, R$ 1,8 mil. Para ter acesso aos recursos federais, o município precisa, por exemplo, possuir atendimento de referência em cirurgia cardiovascular e comprovar que a equipe do Samu local está capacitada para aplicar as injeções.

“A rede de assistência precisa estar organizada. E como, em repactuação com o Estado no início deste ano, o Samu assumiu a regulação das vagas de pacientes infartados, que serão levados direto para internação. É uma mudança que começa a nos dar retaguarda para iniciar este tipo de procedimento (com o uso dos trombolíticos)”, detalha o secretário, sem adiantar quando a licitação para aquisição do medicamento será iniciada.

“Nesta semana, faremos o descritivo técnico e o levantamento sobre quantitativo necessário e, na semana que vem, enviaremos estes documentos para o setor de compras. Mas, dentro dos primeiros 100 dias, deveremos concluir todo o processo”, calcula.

CRITÉRIOS

Pelos termos da portaria, o medicamento só poderá ser disponibilizado em viaturas de suporte avançado do Samu, que dispõem de médicos capacitados para a realização da trombólise. Sempre que o tempo decorrido entre o início dos sintomas e a previsão de realização da angioplastia (cirurgia para desobstrução das artérias coronárias) não suportar qualquer espera, o medicamento será aplicado.

“Há uma janela terapêutica, mas acredito que ele deverá ser utilizado, ainda dentro da ambulância, na maioria dos casos, desde que o quadro seja altamente sugestivo de infarto agudo e que não haja nenhum impeditivo para o paciente ser medicado”, aponta.

Segundo Fogolin, os trombolíticos são infinitamente mais eficientes do que o dinitrato de isossorbida, comprimido sublingual mais comumente administrados em pacientes infartados. “Este último promove apenas a vasodilatação e, portanto, não tem efetividade plena. Já o trombolítico atua especificamente no coágulo, restabelecendo o fluxo de sangue e a oxigenação do coração”, completa.

Como funciona

No infarto, a artéria coronária, que irriga o coração, fica obstruída. Com isso, o sangue não consegue levar oxigênio para o músculo cardíaco, que entra em necrose, causando o infarto e podendo evoluir para uma parada cardíaca. 

O medicamento trombolítico desfaz a obstrução e a circulação no coração é retomada, interrompendo o infarto. Além disso, o uso precoce do medicamento reduz as chances de o infartado apresentar sequelas, como insuficiência cardíaca, que obriga o paciente a tomar medicamentos por toda a vida.