| Samantha Ciuffa |
| Sérgio Oliveira estará hoje em roda de conversa sobre grafite, na Casa do Hip Hop, na Estação |
No lugar de paredes desgastadas ou pichações, muitas cores, desenhos, personagens e histórias que dão voz à cultura hip hop. O grafite, enquanto transformador do cenário urbano e da vida dos seus artistas, é tema do filme Cidade cinza, que será exibido neste sábado (11), às 16h no #CinePixote, cineclube da Casa do Hip Hop de Bauru, na Estação das Artes. A entrada é gratuita
Em seguida, os artistas do grafite Luiz Felipe e Sérgio de Campos Oliveira puxam um bate-papo com o público. O filme, de 2013, com direção de Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo, filmado ao longo de 6 anos, mostra conversas com grandes grafiteiros de São Paulo e coloca em xeque a noção de arte implementada por políticos, o pertencimento da cidade e diversas outras questões sobre a arte urbana.
“A proposta é falar da militância da cultura hip hop e mostrar que é possível viver de arte e expressar algo bom para a sociedade. Queremos motivar os meninos novos a buscarem conhecimento e vivências sobre o grafite”, explica Sérgio.
O assunto está em alta, principalmente depois que o prefeito de São Paulo, João Doria Júnior, mandou apagar o grafite de diversos pontos da capital paulista. “É um retrocesso na arte urbana e ele saiu perdendo com a polêmica internacional que essa atitude gerou”, comenta o artista do grafite, que é instrutor artístico na Divisão de Ensino às Artes, da Secretaria Municipal de Cultura.
ARTE URBANA
Sérgio, 30 anos, é natural de São Paulo e lá conheceu o grafite, que serviu de estímulo para que ele cursasse faculdade de artes visuais na Unesp de Bauru.
“De 2010 para cá houve crescimento e avanço na arte do grafite, com mais oficinas, cursos e informações. Eu sou fruto disso. Desde 2014 desenvolvo um projeto ligado à Prefeitura de Bauru, que ensina a arte urbana; não é a academia que forma o artista da rua, mas outros artistas e a própria rua”, avalia.
“É uma arte que abrange outras e abre portas para conhecimentos de história da arte, tintas, cores e de como fazer um trabalho. É um transformador social na medida em que leva o jovem a estudar, expressar sentimentos e ter uma ocupação”.
O grafite ainda é positivo para a cidade, pois os desenhos tendem a ser respeitados por pichadores e mudam o cenário urbano. “Motiva olhares, muda a percepção visual e ocupa os espaços de forma diferente. Uma parede branca não te dá nada, mas a cor é uma provocação, os desenhos instigam, dão voz a lutas, sonhos e pensamentos. Falam por si. E a rua tem muito a dizer”, ressalta Sérgio.
E, de acordo com ele, não é preciso ir à capital para ver um bela galeria a céu aberto. O interior tem excelentes artistas, até de renome internacional como L7M e Jota Crepaldi. “Com materiais de qualidade, conhecimento e informação, essa arte é cada vez mais valorizada”.
SOBRE O CINECLUBE
O #CinePixote, realizado em dois sábados do mês na Casa do Hip Hop de Bauru, conta com exibição de um filme seguida de roda de conversa. Segundo os organizadores, a intenção é fomentar a troca de ideias, instigar o pensamento e a formação, abordar temas que estão em pauta, analisar a vida e o mundo por diferentes perspectivas. Para saber mais acesse a página da Casa do Hip Hop no Facebook.
SERVIÇO
Exibição do filme Cidade Cinza e roda de conversa: hoje, 11/02, às 16h, no cineclube #CinePixote, na Casa do Hip Hop, na Estação das Artes (Praça Machado de Mello, antiga estação ferroviária). Entrada gratuita.