Washington - O presidente Donald Trump voltou a atacar, na manhã de ontem, o Judiciário norte-americano, dizendo que o sistema legal do país está "quebrado" depois que uma corte de apelação manteve a suspensão ao seu decreto anti-imigração.
"Nosso sistema legal está quebrado! '77% dos refugiados que tiveram a entrada permitida nos EUA desde a suspensão do veto a viagens vieram de sete países suspeitos' (WT) TÃO PERIGOSO!", escreveu, em referência a matéria do jornal "Washington Times".
A reportagem diz que 77% dos 1.100 refugiados que entraram no país desde a liminar concedida por um juiz federal do Estado de Washington, no último dia 3, até a última quinta, são cidadãos de Síria, Iraque, Irã, Sudão e Somália -que junto com Líbia e Iêmen foram os países vetados por Trump em seu decreto.
No Brasil, o jornal "A Folha de S.Paulo" fez um levantamento junto ao Centro de Processamento de Refugiados, que trabalha com o governo americano, do número de refugiados que haviam chegado desde a liminar até a sexta (10): 1.462, de 21 países. Destes, 402 eram sírios e 340 iraquianos.
O decreto assinado por Trump no último dia 27 proibia a entrada de refugiados de qualquer nacionalidade por 120 dias e de cidadãos desses sete países -que segundo ele, representam ameaça terrorista aos EUA- por 90.
Trump já havia dito que os tribunais do país são muito "políticos" e que a audiência realizada pela corte de apelação que manteve a suspensão foi "vergonhosa".
ESFORÇOS
Os esforços do novo presidente americano para conter a imigração no país não se resumiram ao veto a novas entradas. De acordo com o jornal "The Washington Post", centenas de imigrantes ilegais foram presos em ao menos seis Estados na última semana.
As detenções marcam a primeira grande ação de Trump desde a assinatura, no dia 26, de decreto destinado a aumentar a repressão a quem vive ilegalmente no país. Segundo as autoridades, as prisões tiveram como alvo criminosos conhecidos -houve, porém, registro de detentos sem histórico criminal.