09 de julho de 2026
Geral

Pedaços do mundo sobre um blazer azul

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Maurício Araújo dos Reis, Argelia Samaniego e Clément de Resée falam sobre a importância da troca cultural nos intercâmbios

Sempre que chegam ao aeroporto de um país, até então, desconhecido, os intercambistas do Rotary Club utilizam um blazer azul repleto de bótons. Os apetrechos nada mais são do que uma lembrança de cada estrangeiro que conhecem em suas viagens. Em Bauru, há sete jovens oriundos dos mais diversos locais do mundo.

Inclusive, a roupa que simboliza a entidade, facilmente identificada pelos funcionários dos aeroportos, é uma forma de ajudar os jovens, que mal falam a língua do país de destino, a chegar até suas famílias "postiças", conforme revelam a mexicana Argelia Samaniego, de 17 anos, e o belga Clément de Resée, de 18.

Os intercambistas chegaram a Bauru em agosto de 2016 e permanecerão até julho deste ano. A cada quatro meses, os jovens mudam de residência.

A ideia é garantir a troca cultural e de experiências, já que as famílias possuem hábitos diferentes.

HÁBITOS

Argelia, por exemplo, se impressionou diante da falácia de que a língua portuguesa é parecida com a espanhola.

"Quando eu saí do México, todo mundo falava que o português era quase igual ao espanhol. Certa vez, perguntaram se eu tinha apelido - "apellido" é sobrenome, na minha língua nativa. São semelhanças que acabam nos enganando", observa.

A adolescente confessa que sua primeira opção era a Hungria, porém, a demanda era maior que a oferta e restou o Brasil.

De Bauru, especificamente, ela é só elogios. "Não é uma cidade muito grande, mas tem de tudo, até mesmo, beleza", exalta.

Clément, por sua vez, estranhou o costume de se comer arroz e feijão diariamente. "Na Bélgica, comemos muita batata, macarrão, enfim, não repetimos a mesma refeição todos os dias", acrescenta.

Ao contrário da colega mexicana, a primeira opção do jovem foi, justamente, este País.

Encantado com a descrição de uma amiga brasileira - que, recentemente, fez intercâmbio na Bélgica -, Clément conseguiu realizar seu sonho. E vai além: considera Bauru uma cidade enorme, já que seu país natal não é dos maiores.

Intercâmbio do Rotary é destinado aos jovens

Não precisa ser rotariano para receber intercambistas ou ser um deles. Há três modalidades da iniciativa. Uma das mais comuns é a de longo prazo, ou seja, de dez meses a um ano, da qual participam Argelia Samaniego e Clément de Resée.

Para tanto, os interessados têm de ter nascido a partir de 1 de janeiro de 2001.

Existe, ainda, o intercâmbio de curto prazo, que dura entre quatro e seis semanas.

Para participar, os intercambistas têm de ter nascido a partir de 1 de janeiro de 1996.

Por fim, há o intercâmbio de novas gerações, cuja duração varia de quatro a seis semanas, e é destinado aos jovens de 18 a 25 anos, desde que tenham um projeto profissional. 

Esta modalidade não é comum, pelo menos, no Distrito 4510 do Rotary, que engloba os clubes de Pederneiras até Presidente Epitácio, na divisa com o Mato Grosso do Sul, incluindo os de Bauru.

Após as inscrições - neste ano, elas terminarão só no dia 15 de março -, os interessados participam de um processo seletivo, ou melhor, uma prova de conhecimentos gerais, com múltipla escolha.

Os melhores colocados escolhem para qual país viajarão e são direcionados para as famílias dispostas a recebê-los. 

Estas, por sua vez, também podem enviar seus filhos para outros países - desde que sigam todos os critérios exigidos pelo programa - promovendo, assim, uma efetiva troca cultural.

Maior demanda

Membro do Rotary Terra Branca e oficial do Youth Exchange Program (YEP) - Programa de Intercâmbio para Jovens, também vinculado à entidade -, Maurício Araújo dos Reis acredita que a procura pelos intercâmbios da instituição onde atua chegou a crescer, até mesmo, diante da crise econômica.

Segundo ele, muitos pais querem que seus filhos busquem o aprimoramento profissional, através da aprendizagem de uma segunda língua. O objetivo é conseguir uma futura colocação no mercado de trabalho, cuja competitividade é brutal, principalmente, em tempos de vacas magras.

Outro motivo que eleva a procura pelos intercâmbios do Rotary é o preço. "Um intercâmbio de longo prazo - de dez meses a um ano -, através de uma escola de inglês, sai aproximadamente R$ 60 mil. Já o do Rotary custa, em média, R$ 20 mil", argumenta.

SERVIÇO

Ainda dá tempo de participar do processo seletivo para os intercâmbios do Rotary, cujas inscrições terminarão só no dia 15 de março deste ano.

Para obter mais informações, basta acessar o site www.yep4510.org.br ou entrar em contato com Maurício Araújo dos Reis, através dos telefones (14) 3226-2406 e (14) 99151-2271.