08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Viver para valer

Salete Cortez
| Tempo de leitura: 2 min

Como podemos caminhar com brilho nos olhos, os passos livres e estáveis, sem nos deixar afetar profundamente pelas transformações ininterruptas ao nosso redor?

É inegável o quanto os cenários políticos, econômicos e sociais têm afetado profundamente a qualidade de vida das pessoas. Neste momento de conflitos e polarizações, é muito comum sentir a sensação de desesperança com relação ao futuro. A escolha de muitos tende a ser a de viver sem questionar sobre o que realmente acontece à sua volta, mantendo-se espectador e não protagonista, elegendo o consumo desnecessário e as drogas como resposta à satisfação das ansiedades.

Acredito que toda esta liberdade obtida nos tempos atuais é ilusória, aparentando dar muitas opções enquanto que na prática o ser humano está a cada dia mais deprimido. A insegurança de ter que consumir para poder sentir-se admirado é um parâmetro que demonstra a fragilidade vestida de roupas caras. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, com o pensamento atual líquido e sem direção, para conseguir abarcar tudo o que a vida pode oferecer as pessoas tendem a tornar o processo de fazer escolhas de forma muito angustiante já que este implica em abrir mão de tantas outras possibilidades. Isso se refere aos relacionamentos afetivo-sexuais, profissão, estudo, aquisição de bens de consumo e tudo mais. Além disso, os relacionamentos em geral estão sendo tratados como mercadorias. Se existe algum defeito, podem ser trocadas por outras.

Para sobreviver neste cenário de jogos de força e pressões sem adoecer, torna-se importante buscar um estilo de vida mais eficiente. Nenhum vento é favorável àquele que não sabe navegar. Todo o gasto de energia e de conhecimento pode acontecer na construção de algo efetivo para a diminuição das nossas vulnerabilidades individuais proporcionando um impacto positivo de longo prazo. Em sua opinião, qual é o melhor caminho para minimizar a angustia, a ansiedade e a depressão: Competição ou cooperação?

Ser um ativista da paz, do diálogo e da cooperação é para os fortes. Abrir trilhas de compreensão e fraternidade dentro de nós não é sinônimo de fraqueza, ao contrário, desenvolver uma consistência emocional que não te deixa adoecer só fortalece e transforma a maneira de lidar com tudo ao seu redor. Sentir a vida vibrando, seja num abraço ou numa realização é o prazer fundamental do coração. O mundo mudou, mas as necessidades humanas essenciais continuam as mesmas: amor, atenção e reconhecimento.

Como diz Mário Cortella, somos o único animal que temos a consciência de que vamos morrer. Tal colocação pode nos mostrar que o que importa mesmo é a modo de como iremos viver. Vale a pena ter uma vida fútil e apequenada? Será que faremos falta pra alguém quando morrermos?

Todos nós podemos dar suporte para que a vida seja invadida por sensações mais profundas de amor e ética, principalmente através da cooperação. Este é o grande "barato" da vida e realmente resulta em sentimentos positivos na maior parte do tempo. Experimente.