Quantas vezes já ouvimos ou usamos as expressões: “Psiuuu...Quieto; Em boca fechada não entra mosca; O silêncio é a melhor resposta; Silêncio, preciso me concentrar; Silêncio, preciso estudar; Antes se arrepender por não ter respondido (ficado em silêncio) do que se arrepender pelo que foi dito; A sabedoria do povo mineiro é difundida pela prudência e pelo silêncio etc”.
A razão desta reflexão despertou d’uma palestra sobre o tema Silêncio, proferida na reunião mensal da MECE da Paróquia Universitária. Surpreendente foram as diversas justificativas da assembleia, sobre a pessoas que querem e não conseguem um lugar silencioso para sua introspecção. Também foram abordados temas com opiniões conflitantes sobre a presença da música (cantos gregorianos, por exemplo, acalmam) ou ausência dela, em certos momentos, para melhor dialogar com seu “eu”.
Num exercício, foi pedido que todos ficassem relaxados, olhos fechados, sentados confortavelmente e que, por alguns minutos, procurassem não pensar em nada. Confesso, como isso é difícil. Desfilam muitos pensamentos simultâneos, que impedem que a mente se acalme.
Depois, começa um processo de aceitação do silêncio, onde se percebe como estamos acostumados ao ruído e a dificuldade em dar uma “folga” para a nossa mente. Como dizemos, muitas das nossas atitudes são tomadas de cabeça quente, e que se tivessemos mais tempo (cabeça fria) provavelmente o comportamento seria outro.
Vamos aos templos religiosos em busca de momentos de paz, para um encontro espiritual com o Criador, mas nem sempre encontramos um ambiente propicio para isso. Até na Biblia, há menções sobre momentos de silêncio e naquela época, a poluição sonora era bem menor.
O mesmo acontece em nosso trabalho, onde precisamos algumas vezes de silêncio, para concatenar as ideias, descansar a cabeça, aliviar o estresse e voltarmos a produzir satisfatoriamente. Quantas pessoas apavoram-se com o silêncio e buscam os meios eletrônicos para preencherem aqueles momentos preciosos, que não sabem, ou não conseguem, o quê e como fazer. Oportuno citar a música de Gilberto Gil, gravada em 1980, com o título “Se eu quiser falar com Deus”, que assim se inicia: “Se eu quiser falar com Deus. Tenho que ficar a sós. Tenho que apagar a luz. Tenho que calar a voz.”
Ou seja, criar uma atmosfera prévia, para depois desfrutar desses momentos. Vemos os jovens multifuncionais, onde convivem simultaneamente os sons de celulares, tablets, MP3 e 4, que causam uma enxurrada de sons, mas que para alguns é a estratégia usada para estudar.
A experiência de isolar-se, ficar em silêncio, escutar as batidas do coração desacelerando até chegar a esse estágio de percepção, é muito difícil, mas gratificante. Com a rapidez que circulam as notícias, estamos bem informados, mas não temos tempo de raciocinar sobre o que foi dito, pois outras veem soprepor-se, confundindo ou bloqueando o encadeamento lógico. Hormônios de crescimento são liberados durante o sono.
Um ambiente com lâmpadas de led, avisando que os aparelhos estão em stand by, mandam para o cérebro informações que o dia já está raiando e gera, consequentemente noites mal dormidas, daí o alerta do Gil, sobre apagar a luz. Noites mal dormidas, prenunciam dificuldades maiores de raciocínio para o dia seguinte.
Imagine então, acelerar seu cérebro com games e filmes estimulantes, que dificultam a paz necessária para o descanso e processamento das informações diárias. A tecnologia veio facilitar muito a vida, mas é necessário ensinar e saber dosar seu uso.
Quantos restaurantes, escolas, empresas retêm os celulares para não distraírem das funções necessárias para a concentração e execução dos objetivos a serem alcançados. Fazer a experiência de ficar em silêncio, depois de um tempo treinando, trará benefícios surpreendentes. Vale tentar.
O autor é professor FOB-USP e membro do Lions Clube de Bauru Centro.