08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Superpopulação

Fátima Cristina Piovesan
| Tempo de leitura: 2 min

Tomei a liberdade de escrever essas linhas depois que soube que os vereadores se reuniram ontem, 16/02/2017, para discutir a superpopulação carcerária em regime semiaberto em Bauru. Bom também.


Gostaria de sugerir uma pauta para os citados acima, chamando a atenção também do exmº juiz da Vara da Infância e da Juventude: a superpopulação das EMEIIs  ou creches em Bauru. Com o início do ano letivo, vem a enxurrada de matrículas conseguidas através de um mandado judicial. As mães comprovam que trabalham (?) e lá se vai a ordem para que a creche receba a criança. Gostaria do convidar os senhores vereadores e o Exmº juiz para uma visita às creches, no horário das 11h às 13h.


Sim, porque é nesse horário que as crianças dormem. Já explico: na vertical, o espaço físico dá a impressão de que cabem ainda muitas crianças, na horizontal é que mostra a realidade. As creches viram depósitos de crianças, amontoadas em salas superlotadas, com RH insuficiente e mal remunerado.


O Exmº juiz pode até me dizer que isso não é problema do Judiciário, e sim do Executivo, para que novas UE sejam construídas. Todos sabemos que isso não acontece. Eu lhe digo que é, sim, um problema de todos nós. Os 3 poderes têm que trabalhar como uma equipe, séria e com vontade de acertar.


Não sei qual o critério que o Exmº juiz usa para a confirmação de que as mães trabalham, mas eu lhe afirmo que muitas deixam seus filhos nas creches e voltam para casa dormir, ou ficam andando pelo bairro. Usam declarações falsas e assim o caos se instala. Os filhos de mães que realmente trabalham não têm a qualidade de atendimento que teria se não houvesse a superpopulação.


Posso garantir que a situação é difícil tanto para quem fica e para quem trabalha nesse setor. Termino esse artigo com uma frase que considero perfeita: “As grandes verdades estão na consciência de todos os homens de bem. Não há construção técnico-jurídica capaz de superar a razão e o bom senso, para, assim, alcançar a verdadeira Justiça” (TEZANI, Tiago).