08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Reflexões sobre a vida na cidade

Natasha Lamônica Moinhos, arquiteta urbanista
| Tempo de leitura: 2 min

A reportagem do Jornal da Cidade deste sábado, dia 18/02, sobre o polêmico projeto de lei das festas, me fez refletir um pouco sobre a vida na cidade. Nessa reportagem um policial diz que a maioria dos chamados aos fins de semana eram pessoas reclamando do barulho das festas e da falta de sossego.

   

Uma outra fala diz que o direito de um começa onde termina o do outro. E teve uma fala, linda, que disse que não temos opções de lazer para os jovens na cidade. Pois bem. Viver em uma cidade (grande, como é a nossa) não é definitivamente viver uma vida de paz e sossego.

   

É necessário lidar com questões diárias como deslocamentos, abastecimentos, emprego, estudo, trabalho, comércio, festas, música, shoppings, festivais e tudo mais que envolva a vontade de milhares de pessoas diferentes, que reagem, sonham, vivem, ouvem, dormem e se deslocam na cidade de maneiras diferentes. Uma total falta de sossego.

    

A questão das festas eu entendo da seguinte forma: hoje em dia, é uma tendência mundial que os casais não tenham mais filhos, ou tenham um só. Em Bauru não há de ser diferente. Todos os jovens com quem tenho conversado ultimamente (estudantes, parentes e filhos de amigos) almejam ir embora de Bauru (isso me assusta). Um livro muito interessante chamado ‘Cidade Caminhante’, que tenho lido e relido ultimamente, diz que uma cidade, que quer ter futuro, tem que ser vibrante. Tem que ter vida nas calçadas, transporte público de qualidade, encontros sem convite e, acima de tudo, Jovens! Os jovens são ativos, criativos, ansiosos, consumistas, revolucionários, inventores, pensadores e, o melhor de tudo: inovadores! Em um futuro próximo, jovens e crianças estarão quase em extinção, as cidades vão brigar por eles.

   

Então, minha reflexão vai terminando com uma seguinte questão que entendo dizer respeito à vida de todos os cidadãos: como vamos evitar a fuga dos jovens de nossa cidade? Quem vai trabalhar para inovar, criar e vibrar nossa cidade quando estivermos velhos? Com certeza, não é uma vida de paz e sossego que eles querem...