10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Presença de mídias sociais na educação hoje

José Marta Filho - professor e engenheiro
| Tempo de leitura: 2 min

Se para ensinar há necessidade de aceitar que a mudança é sempre possível, não há como negar ou excluir novas metodologias inovadoras que possibilitam uma prática pedagógica capaz de ultrapassar os limites tradicionais, para, efetivamente, alcançar a formação do educando em consonância com o atual desenvolvimento científico e tecnológico.


Nos métodos tradicionais, os professores eram, praticamente, os únicos responsáveis pela transmissão de informações, mas com a Internet qualquer um pode aprender em qualquer lugar e em muitas fontes diferentes. Isso tem criado um grande problema para a muitos docentes que exigem a atenção dos alunos, mas estes, quase sempre, estão mais interessados nas mídias sociais, em seus celulares. Como resolver esse impasse?  


Expulsando-os da sala de aula? Impedindo a entrada de celulares no ambiente escolar? Quebrando ou proibindo o uso do celular nas escolas? Não! A onda da internet e dos celulares veio muito forte e para ficar. Fenômeno parecido aconteceu no ensino de ciências exatas, especialmente nas engenharias, no final do século passado, com a vinda de calculadoras científicas. A resistência dos professores foi muito grande; alguns até diziam que era o fim da matemática pois os alunos nem precisariam mais saber a tabuada decorada.


Longos e cansativos cálculos, que enchiam quatro ou mais grandes lousas, feitos em três ou quatro horas, sujeitos a erros humanos, eram “checados” pelos alunos que os executavam em suas calculadoras programáveis e poucos segundos. Muitos dissabores, entre docentes e discentes, aconteciam quando o resultado da lousa não era o mesmo da calculadora!


Claro que, após toda turbulência pedagógica do primeiro período do uso da calculadora, chegou-se ao equilíbrio e a aceitação de que, antes de utilizar programas e calculadoras, seria necessário o cálculo “manual” para se entender sua estrutura e, instrumentalizar o raciocínio lógico da programação. O mesmo fenômeno acontece hoje com os celulares. Eles vieram para ficar e, como o mundo, estão cheios de informações úteis e outras nem tanto.


O papel ativo do professor como design de caminhos, de atividades individuais e de grupo é decisivo e o faz de forma diferente. Com a Internet e a divulgação aberta de muitos artigos e materiais, aprende-se em qualquer lugar, a qualquer hora e com muitas pessoas diferentes, inclusive durante as aulas formais.


É complexo, necessário e um pouco assustador, porque temos poucos modelos bem-sucedidos para orientação pedagógica, de forma flexível, numa sociedade altamente conectada. Mas... preparemo-nos: o celular chegou para ficar, também nas salas de aula. Vamos nos aliar ao que têm e podem oferecer de bom.