09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sistema penitenciário em Bauru- Desativação do CPP3 de Bauru

Marcus V. Cunha - Agente de Segurança Penitenciária - SP
| Tempo de leitura: 2 min

Gostaria de me expor sobre o assunto em tela, abordado em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Bauru na data de 16 de fevereiro de 2017, onde observou-se, anterior ao debate proposto, "a crise no sistema prisional", uma clara manobra com a finalidade de desativar o CPP3, para de forma oportunista instalar no conjunto de prédios onde ocorreu no último dia 24 a rebelião que foi amplamente divulgada, e nas redes sociais, alvo de comentários e notícias falsas que geraram na cidade um triste clima de insegurança generalizado e irreal na sua intensidade.

Alguns vereadores se posicionaram muito claramente favoráveis à desativação desta unidade, demonstrando que o assunto já estava sendo tratado nos bastidores, e ali, naquela audiência pública, nada mais se apresentava a não ser a exposição de argumentos que justificariam a desativação.

Na qualidade de munícipe, pagador de tributos na cidade, com família alicerçada na cidade, não me arriscaria dizer que uma escola de formação de soldados instalada na cidade, como propõe o senhor vereador Meira, seria algo ruim, mas entendo que alguns pontos contextuais estão sendo negligenciados. Também destaco algumas citações no sentido de haver esforços com a finalidade de manter os trabalhadores da unidade na cidade.

Como agente de segurança penitenciária, fico apreensivo, assim como todos os outros cidadãos bauruenses que desempenham suas atividades profissionais na unidade, com o teor da proposta em detrimento de outras ocasiões onde fatos semelhantes ocorreram, e o governo do Estado tratou a questão de forma burocrática, transferindo trabalhadores para outras cidades sem nenhuma discussão. E ainda que exista a intenção, por parte da classe política, em empenharem-se na intenção de manter o corpo funcional na cidade, não acredito no sucesso, visto que para ao Estado não passamos de números.

Difícil é acreditar que trazer uma escola de formação da Polícia Militar não tenha caráter político e assim se torne altar de apoio eleitoral para muitos. Lembrando que em 2014 houve uma mobilização com a mesma intenção, encabeçada pelo então comandante da polícia militar Benedito Roberto Meira, hoje vereador da cidade, fato este citado pelo senhor vereador na mencionada audiência pública. A questão toda circula intenções "obscuras e tendenciosas" sem nenhuma preocupação com as famílias que serão "jogadas ao vento".

O que nos causa também estranheza é o fato de não haver menção da criação da "imprescindível" escola de formação na cidade na mesma área que contempla o antigo IPA, haja vista que a fazenda possui cerca de 270 alqueires. Atualmente, nessa área se encontram o distrito industrial 3, indústrias essas que se utilizam de mão de obra carcerária, o aterro sanitário do município e o CPP1 e CPP2, onde compreendemos que seria perfeitamente viável a instalação sugerida, para que assim também possa gerar mais segurança à unidade prisional.

Somos aproximadamente 320 famílias lutando para não sair da cidade.