11 de julho de 2026
Geral

Bauru concentrará ato estadual em favor de melhorias na Polícia Civil

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr./JC Imagens 
Presidente do Sipol local, Márcio Cunha afirma que, em quatro anos, Bauru já teve perda de mais de 60 policiais   
Neide Carlos/JC Imagens
Presidente da Adpesp, Marilda Pansonato: “Se não tiver uma reposição imediata do quadro de funcionários, a Polícia Civil fechará as portas”

Policiais civis de todo o Estado promovem ato em Bauru no próximo dia 2 de março, às 12h, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) local. “Agonia, desamparo e desespero”. É assim que a categoria define o cenário enfrentado pela Polícia Civil paulista, apontando desvalorização profissional, defasagem nos quadros e falta de estrutura.

Desencadeado pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) e os Sindicatos dos Policiais Civis (Sipol) de Presidente Prudente, Bauru e Santos, o protesto ocorrerá em Bauru. A cidade foi o fio condutor da greve de 2008 e “sua escolha é simbólica por toda a Polícia Civil”, justifica a categoria.

As entidades aguardam a presença de profissionais de todas as carreiras, para um debate sobre a situação e reivindicações de cada unidade e discutir, ainda, quais providências devem ser tomadas posteriormente na busca de soluções. “A falta de efetivo é o problema mais grave em Bauru”, revela o presidente do Sipol local, Márcio Cunha.

Ele frisa que, desde a implantação da Central de Polícia Judiciária (CPJ) na cidade, em 2013, a unidade local perdeu mais de 60 policiais (entre aposentadorias e transferências). “Não houve reposição necessária de efetivo. A população não pode ser cerceada deste trabalho imprescindível da Polícia Civil, que é o de investigação dos crimes”.

Presidente da Adpesp, a delegada Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro diz que o objetivo do evento é inserir os policiais do Estado na pauta e “ouvir caso a caso”.

“O déficit de profissionais é alarmante. Se não tiver uma reposição imediata do quadro, a Polícia Civil fecha as portas, pois não tem como continuar”, frisa Marilda, destacando a possibilidade de uma greve. “É uma questão a ser discutida”, conclui.

EM VÍDEO

A campanha, em forma de vídeo e viabilizada por policiais civis do Estado, passou a circular em redes sociais e aplicativos neste mês. O vídeo, que critica as más condições de trabalho na corporação, é intitulado “Falência Múltipla da Polícia Civil”, cujo conteúdo diz que “o abandono é realidade, a agonia é inerente e o fim é inevitável”.

SERVIÇO

O ato ocorrerá no próximo dia 2 de março, às 12h, na sede da OAB Bauru, que fica na avenida Nações Unidas, 30-30, Vila Universitária. O protesto espera reunir mais de 150 profissionais de todo o Estado.

Segurança Pública fala em investimento

A Secretaria da Segurança Pública informa que investe para ampliar o efetivo das polícias no Estado. “Mesmo com a queda expressiva da arrecadação nos últimos anos, foi possível contratar 3.688 policiais civis desde 2011, sendo 472 para as regiões de Presidente Prudente, Santos e Bauru. Além disso, estão em curso na Acadepol 80 futuros delegados, 79 investigadores e 283 escrivães, que serão distribuídos para o Estado após formatura. Em janeiro de 2017, 40 investigadores se formaram. Vale ressaltar que o Estado deve, no entanto, obedecer aos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e, para toda contratação, deve ser observado o seu impacto orçamentário. Além disso, o déficit de policiais civis que os sindicatos têm apresentado não é correto. O levantamento leva em conta cerca de 5 mil cargos de carcereiros, que foram extintos pelo Decreto Nº 59.957, de 13 de dezembro de 2013. Também desde 2011, também foram investidos R$ 42,3 milhões de reais na compra de 546 viaturas para as polícias de Presidente Prudente, Santos e Bauru. Os agentes paulistas tiveram ainda reajustes entre 44 e 72% nos últimos seis anos. Graças a esses investimentos e ao esforço dos integrantes da Polícia Civil, o trabalho vem sendo feito. O número de prisões realizadas nas três regiões foi recorde em 2016: foram 28.429 casos que envolveram prisões em flagrante e por mandados obtidos a partir do trabalho de polícia judiciária.”