08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Fora da casinha

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Como nada é estático, nas línguas também vão surgindo expressões e gírias novas, como esta, estar “fora da casinha”, que entre outras situações sugere que uma pessoa está fora do juízo normal, ao menos para os padrões sociais.


Mas apesar da gíria sugerir algo hilário, saúde mental é coisa séria, e o “Janeiro Branco”, movimento que surgiu em Minas Gerais em 2014, vem tomando um vulto maior em todo o Brasil. Assim, desde então, janeiro tem sido citado com especial dedicação à saúde mental, com palestras e debates, com tema de suma importância.


“Janeiro Branco”, mês e cor escolhidos por se tratar de um mês um tanto delicado para as pessoas. Entre cobranças e promessas de mais um ano que se inicia, crescem bastante as fobias, depressão ansiedade e outras doenças. E no branco do papel pode-se escrever e pintar uma nova história.


A consciência de todos, que como escreveu Wellington Balbo, em sua coluna de sábado passado (11/02), que não adianta se preocupar apenas com a saúde física, via academia e alimentação mais pensadas e balanceadas, se não nos atentarmos para o lado de nossa psique, que vem sofrendo muito mais com aceleração cada vez maior nas nossas vidas, via internet, a grande facilitadora, que também trouxe complicadores (prova de que todo progresso vindo, trará seus excessos).


Mesmo uma vida mais saudável, que se propunha no campo, longe dos grandes centros urbanos, hoje sofre com o movimento bem “fast”, onde o que corriam eram apenas os rios e riachos, hoje temos “fábricas de galinhas, de porcos, de peixes, de bois” criados em regime de confinamento, numa rapidez industrial, sem contar as “tecnoplantações”, que não há como ser uma alimentação totalmente saudável.


Por isso, a grande importância de uma higiene mental boa, com a ajuda de profissionais como os psicólogos e o elementar, não preconceito, com a psiquiatria, tanto quanto para com as outras partes do nosso corpo.


Bem melhor seria nos abrirmos a esses recursos e práticas sem falsos e tolos preconceitos e medos, e que nossas fugas para as bebidas, as drogas e até aos exageros no ‘mundo digital’ ao real, que são oferecidos e citados como fonte de prazer, felicidade e facilidades eternas.


Isso nos levaria a “filosófica” frase, ainda que em tom de ironia: “não tenha ressaca, mantenhase bêbado (drogado e plugado)”.


Talvez melhor seria pensarmos em um janeiro branco, fevereiro branco...