Azulão mostra as suas cartas em apresentação
| Samantha Ciuffa |
| Escola Azulão do Morro se superou em desfile segunda-feira à noite com enredo sobre jogos |
Última colocada no Carnaval do ano passado, a escola de samba sediada no Parque Jaraguá surpreendeu com o enredo “O Azulão vira jogo e vira o jogo, a sorte está lançada” no desfile de segunda-feira no Sambódromo.
Desde a comissão de frente, que remetia ao baralho, a agremiação arrancou aplausos da arquibancada. O desfile mostrou dos jogos místicos e cartas ciganas ao xadrez, cubo mágico, cruzadinha e jogo da velha, incluindo os jogos olímpicos, com alegorias, fantasias, samba, evolução e harmonia que superaram – e muito – o Carnaval do Azulão do Morro em 2016.
Para a presidente e porta-bandeira Cidinha Caleda, é fundamental manter a agremiação, apesar de todas as dificuldades. “Nosso bairro é marginalizado e o Azulão mostra outro lado da nossa comunidade, leva algo bom”.
O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira se apresentou de apostador e roleta, com passos elaborados para transmitir tal ideia. “Tenho 30 anos de Carnaval , dois como mestre-sala e a primeira vez com Thainá Ferreira. Ensaiamos dois meses e a parceria deu certo. É uma responsabilidade e um imenso prazer”, disse Gilson Jacinto.
A animação, os passos e o envolvimentos, tanto dos destaques quanto dos cerca de 450 foliões, foi contagiante. Entre eles, o rei de bateria Richard Henrique, que mostrou muito samba no pé. “Treinei demais, vi vários vídeos e a emoção é enorme; uma honra!”.
Quem também brilhou foi Cristiane Ludgério. Estreante como carnavalesca, ela cuidou de todo o desfile, sambou no salto e até ajudou a empurrar carro alegórico. “Também me diverti, me dediquei e apostei todas as fichas. Foi além das expectativas, o pessoal trabalhou muito e deu certo”.
FALA DIRIGENTE
“A gente foi bem, conseguiu concretizar o que foi planejado, superou as expectativas, e foi contagiante a energia com o público. Demos um bom xeque-mate”, brincou a presidente Cidinha (do Azulão) Caleda.
Zona Leste viajou por quatro enredos com muita cores
| Malavolta Jr. |
| Bateria da Tradição da Zona Leste se destacou na avenida |
O desafio da Tradição da Zona Leste de unir quatro histórias bem diferentes em um mesmo desfile com “Enredos maravilhosos que nos levam a viajar por épocas distintas e as histórias vivenciar” resultou em uma festa muito colorida, que agradou a arquibancada.
Com 500 foliões, a escola homenageou temas de sucesso em sua trajetória e passeou pelo Egito, a história dos negros, o circo (através do palhaço Gira-gira, o saudoso Wilson Nogueira) e a lenda da Vitória Régia, que fez parte de um desfile sobre a Amazônia.
Entre muitos pontos marcantes está a bateria Furiosa, com 60 ritmistas, incluindo várias crianças. “Fiquei muito feliz com o resultado. Sou adepto de colocar a criançada na bateria e fazemos um trabalho legal com elas, principalmente no tamborim. Infelizmente os problemas com o som nos impediram de fazer uma apresentação ainda melhor”, lamenta o mestre de bateria Luidi Lima.
Por falar em crianças, as que assistiam ao desfile ficaram encantadas com a ala dos palhaços – um deles fez acrobacias incríveis – e com a presença do Palhaço Faísca no carro alegórico. “Participei do enredo em homenagem ao Gira-gira e fiz questão de voltar. Eu adoro o Carnaval porque é uma festa popular e amei desfilar com a Zona Leste”.
De fato, a agremiação sediada no Mary Dota, mas que reúne pessoas da cidade toda, tem clima de descontração e muitas famílias. Tanto que o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Denise e Denilson Santos são irmãos. “Às vezes tem alguma desavença, mas o lado bom da sintonia entre a gente supera; só pelo olhar já se entende. É uma responsabilidade e uma grande emoção; por isso, ensaiamos muito”, contou ela.
FALA DIRIGENTE
“Fizemos um desfile maravilhoso, dentro do que planejamos, contando na avenida um bom enredo, com as alas e carros alegóricos. A escola cresceu bastante do ano passado para cá”, afirmou Chiquinho Saes, presidente da Comissão de Eventos da Tradição.
Coroa Imperial canta samba empolgante sobre indígena
| Samantha Ciuffa |
| Lenda indígena de Anahí foi cantada pela Coroa Imperial da Grande Cidade |
Com a intenção de apresentar ao público uma bela lenda da Amazônia ainda pouco conhecida, a Coroa Imperial da Grande Cidade desfilou o enredo “Sou índia guerreira, lançada à fogueira, eu sou Anahí”.
Para contar essa história, a agremiação destacou não só as belezas naturais da floresta, mas também a mistura de culturas. “Anahí cantava divinamente e toda a floresta parava para ouvi-la. Em uma luta para defender seu povo, ela matou um soldado espanhol e foi acusada de bruxaria, sendo condenada à fogueira. Diz a lenda que pássaros dançavam em volta dela enquanto queimava e que neste lugar nasceu uma linda flor”, explicou o carnavalesco Ademir de Oliveira.
Todos os detalhes remetiam a essa lenda. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Bruno Cândido e Sílvia Afonso, representavam o pássaro e a flor. “Estamos emocionados. Ensaiamos 6 meses para ter entrosamento e fazer uma coreografia especial. Valeu a pena”, afirmou ela. “Dos ensaios à apresentação, tudo foi intenso e maravilhoso”, completou ele.
Entre os destaques, a rainha de bateria Thaiza Costa, brilhou e sambou bonito. “A emoção é indescritível. Não tem canseira, nem nada, só a vibração do povo”. Emocionada também estava Regiane Nunes, que desfilou com a filha Maria Vitória, de 11 anos. “Dá até vontade de chorar! Meu filho também toca na bateria. A Coroa é nossa família e a gente ama Carnaval”.
Outro empolgado era Jeferson Vieira, na ala das vitórias-régias. Ele não só cantou, sambou e fez os gestos do samba-enredo do início à dispersão, como também levou sete amigos para o desfile. “A energia do Carnaval faz isso com a gente”. Aliás, o samba de Léo do Rasi mexeu com toda a plateia.
FALA DIRIGENTE
“Não temos tantas expectativas, pois pra nós o mais importante é levar alegria para o povo bauruense e se divertir. Desde que entramos fomos aplaudidos e esse é o melhor prêmio. Fizemos um Carnaval dentro das nossas possibilidades, mesmo com a demora em receber a verba. Pra gente isso faz diferença”, disse Olívia Arantes de Souza, diretora da Coroa Imperial.
| Renan Casal |
| Bateria do bloco Primavera conquistou o público; na imagem, a rainha Cristiane Ludgério |
Bloco estreante surge de projeto social
Após a apresentação de três blocos (mostrados nessa terça pelo JC) e três escolas de samba, o estreante na categoria especial, o bloco Primavera, apresentou uma bateria bem preparada, sob o comando do presidente e músico Adílio Nascimento. “O bloco surgiu de um projeto social de música no conjunto habitacional Primavera, próximo ao Jardim Redentor. Ensinamos de crianças a partir de 7 anos a jovens de 15, que se juntaram aos adultos”, comentou o mestre de bateria e idealizador do grupo.
Com cerca de 120 integrantes, o bloco cantou o enredo “Primavera” e conquistou com animação e um samba contagiante o público que permaneceu até o fim no Sambódromo. Depois, foi a vez do bloco originalidade Amigos da Tuka que fechou o evento, logo após às 4 horas da madrugando, com a temática “Anos 80”.